quinta-feira, 15 de setembro de 2022

"Alive In The Superunknown"

 

   Olá, respectivos leitores, hoje irei rassudocar sobre mais um disco que, passado o devido tempo desde as últimas publicações se tornou um dos meus favoritos de todos os tempos, Superunknown de 1994 do Soundgarden.

    Não Pretendo aqui fazer mais uma das resenhas faixa por faixa e cada detalhe, serão mais alguns comentários e tentativa de transpor os sentimentos que pulam em minha alma e mente como roda uma punk neural. Desde a última postagem aqui (que faz bastante tempo) muita coisa do meu gosto musical se aprimorou como o caminho natural do mesmo, e faz bastante tempo que Soundgarden se tornou minha banda predileta, então resolvi começar por tal.

   Bom, uma das coisas que mais me agradam nesse disco são as afinações bem alternativas que dão um tom único ao conjunto da obra e constroem toda a atmosfera melancolica e caótica, somando a maturidade musical de cada integrante nessa época e a incrível habilidade vocal potente e constante de Chris Cornell, a partir disso irei expor minhas ideias, começando pelas minhas faixas favoritas (apesar de eu gostar do álbum por completo, o que é bem raro de acontecer) em ordem de aparição.

 "My Wave" - Essa faixa é composição de Kim Thayil, mais guitarrística como já percebemos logo de cara, é impossível ficar estático com o instrumental, é involuntário o bate cabeça sob o ritmo dos versos e o mexer dos lábios ao refrão "keep it off my wave, my wave", a grosso modo a letra fala sobre que você pode fazer o que bem entender, bem ou mal, só não encha porra do meu saco. Gosto do detalhe no segundo verso em que é adicionada notas adicioanis nas linhas da guitarra, sútil mas bem escolhido.

  "Mailman" - É onde a melancolia começa, tons abaixo de afinação e instrumental denso, voz arrastada e cansada, letra pesada onde provavelmente fala sobre rejeição, ser colocado na pior posição possível pela então pessoa amada, e dar a volta por cima seja lá de que forma for "Eu sei que cheguei no fundo do poço, mas te levarei comigo"...

  "Superunknown" - Mais uma composição mais guitarristica, frenética e impressionante como em nenhum momento da canção Chris desce o tom das vozes, é sempre em cima o tempo todo. Também uma na qual eu piro muito e não consigo ficar parado. A letra fala sobre dualidades e falsidades cotidinias expostas, na minha visão e que se você não quer ceder a isso, tudo bem, nada significa que você seja obrigado e que se for preciso viva no desconhecido.

  "Head Down" - Essa eu canto com os dentes ranhando simulando força, raiva e poder, nada a comentar sobre os instrumentais, além do encerramento logo após o último refrão que me hipnotiza, aqui a letra fala sobre como a vida e muitas pessoas fazem nós nos sentirmos sempre subordinados, de cabeça baixa ao que nos impõe, mas que devemos manter a cabeça erguida, sorrir, como quando ouvimos uma música que gostamos muitos, que no caso não há faltas!



  "Black Hole Sun" - Dispensa comentários, uma das canções mais fenomenais de TODOS os tempos, a guitarra no começo é de arrepiar, os vocais são ímpares e brilhantes, o instrumental por completo anda de mãos dadas com a letra que fala sobre o clamor pra que um dia um buraco negro venha e leve tudo em bora, principalmente todas as hipocrisias, o ridículo, a mediocridade humana, quase como um pedido de socorro, é realmente uma faixa espetacular, um marco na história do rock e com certeza top 5 das melhores canções dos anos 90.

   "Limo Wreck" - Significa tanto quando "Black Hole Sun" mas pra mim, é minha favorita do disco todo e possui todas as características da faixa acima na minha concepão, instrumental completamente alternativo, acredite se quiser essa faixa foi inspirada em uma valsa, segundo Kim Thayil. Completamente apocalíptica e pesada, fala como sobre a classe alta do mundo está aos poucos destruindo a humanidade, simplesmente amo o detalhe que no último refrão Kim toca um solo de background sob a guitarra principal. Faixa maravilhosa!

  "The Day I Tried To Live" - Começa num clima extremamente melancólico e denso, e vai gradativamente aumentando para quebradeira, essa é uma das músicas que mais emocina no disco, pela letra e a forma como ela termina, o clipe é muito marcante o refrão, tudo me agrada muito aqui, especialmente a parte final e as notas agudas tocando enquanto Chris sussura "One more time around", a parte em que ele diz "No dia em que tentei viver, me chafurdei na lama e sangue junto dos outros porcos" quando tentamos nos diminuir para caber no mundo de pessoa mediocres e viver assim como elas. Brilhante.

    "4th Of July" - Entra num clima mais denso ainda, como uma espécie de metal gótico, aqui o que mais me chama atenção é o instrumental, especialmente a guitarra a parte C logo após o segundo refrão. a letra fala sobre como para Chris o dia de 4 de Julho (dia da independência dos Estados Unidos) não significa nada quando o mundo americano é composto de pessoas miseráveis, e como mesmo em tanta festa ele ainda se sente mal.

    "Half" - Composição do baixista Ben Shepherd, é a música mais estranha do disco, mas aqui estranheza é um bom significado, a letra fala que sob o amor, o eu-lírico ainda tem chances, portas para abrir, mas sem isso, tudo estará acabado. A parte mais irada é segunda metade onde o baixo triste toma conta do decorrer da faixa, uma atmosfera de término muito bonita de se ouvir.

  "Like Suicide" - Aparentemente termina o disco da maneira certa, e digo "aparentemente" por que na verdade o disco termina com uma faixa bônus "She Likes Surprises". Essa é a música mais pesada do disco todo, no sentido melancólico, composição de Cornell após presenciar um corvo batendo em sua janela e logo após quebrando seu pescoço, não preciso dizer mais nada né? A faixa vai gradativamente aumentando seu ritmo e potência principalmente os vocais e termina de uma maneira que nos passa uma sensação de adeus e desamparo. Novamente brilhante, Cornell não deixa a desejar

     Aqui termino essa publicação, e todas as outras faixas não pontuadas não significa que se decaem em questão de qualidade, pelo contrário, se mantém no padrão ótimo do disco, porém como eu disse no início, iria pontuar apenas as que mais me agradam, dito e feito. Apreciem sem moderação"