Prólogo
Estas palavras ordenam e descarregam minha tempestade interna — que fique provado com este texto que não sou indiferente ao meu tempo nem quero ser. Eu sou sim parte da primeira geração com ilimitado acesso à tecnologia, e as sombras do fantasma comunista se escondem nas cavernas de hoje. Mas eu sou um destruidor de deuses e carrego em mim a chama de um passado imperial. Na verdade, menti um pouco... eu vou além do passado imperial e quero resgatar o cesarismo.
Quem são os deuses de meu tempo? As lideranças metacapitalistas.
O que nós, ó leitores, somos? Pontes para o futuro, inimigos dos deuses.
O que o resto da sociedade é? Rebanho.
A meta? O caesar.
Excursões
Seta I. O mais próximo que eu cheguei a me unir a um thinktank, panelinha ou circlejerk, seja lá como se queira chamar, foi quando descobri um grupo pagão esotérico. Pareciam, à primeira vista, transvaloradores; mas, tão logo os conheci melhor, vi que utilizavam uma estética progressista e ecológica, ao passo que pregavam hipergamia, eugenia e aborto. "Apenas brasileiros medíocres numa enorme confusão mental e com um torpe senso de superioridade." — concluí.
Seta II. A aurora do catolicismo na internet brilhou diante dos meus olhos há alguns anos — não pude deixar de me encantar com aqueles intelectuais convictos, donos de uma boa gramática e dominadores da lógica formal. Embora algumas coisas fossem duvidosas, como a tendência negacionista desse movimento jovem, era algo totalmente novo e acima do baixo nível das escolas brasileiras.
Parece-me, agora, que o movimento está em declínio — os jovens posam de sanctus, fazem forte proselitismo, ostentam seus terços e exaltam a missa tridentina — alguns mais loucos se aproximaram do sedevacantismo. O mundo está pronto e explicado para eles, quase todas as questões podem ser resolvidas com uma martelada que brada: "Gnose!". As soluções para seus problemas estão mofando num arquivo do Vaticano há séculos, e o que eles não pedem que Maria não possa dar, com todo o seu ar doce e sublime?
Seta III. Os jovens da direita reavivada por Olavo — que fique evidente a minha devoção por ele — desaguaram no distributismo, tradicionalismo, esoterismo, fascismo, liberalismo, integralismo ou nacionalismo. Desses segmentos, os únicos que me transparecem saúde são aqueles que não se esqueceram de elementos básicos do convívio comum e guardam o pragmatismo maquiavélico em si.
Não combinam comigo os ídolos imortais, os ideais descolados da realidade e a falta de etiqueta, mas a nova-direita, indefinida por natureza, porém da qual aceito o fardo de fazer parte, constrói deuses de papel e se portam de modo deseducado, inferior, chandala — os channers são uma doença!
A nova-direita reproduz ódio e ressentimento de rebanho — será que não notaram até agora que moram num país mestiço, pobre e com diversidade de religiões? Eles estão ardendo em febre e, portanto, acham razoáveis o ódio de raças, a loucura de aristocratizar o cristianismo e a supressão das mulheres. Não compactuo com nada disso! Que os sacerdotes do ódio desapareçam, pois são infrutíferos e histéricos. Vocês NÃO SÃO pontes para o super-homem!
Seta IV. Jamais se associar a politiqueiros, filosofeiros, rabineiros e channeiros, pois estes são inconfiáveis e não conseguem guiar sua vontade nem amestrar seus instintos. O único motivo para eu não citá-los nominalmente é não eternizá-los em meus escritos. Meus textos têm lugar no futuro; suas loucuras desaparecerão na cova com vocês, mas restarão vestígios na internet.
Um recado às gerações do futuro: façam sumir todos os vídeos, fóruns e outros canais que esses ratos deixaram na internet. Como esses imbecis não têm relevância acadêmica e as redes aceitam qualquer idiotice, são nelas que eles multiplicam e propagam veneno hoje. Somente meus leitores do futuro poderão fazê-lo, pois a internet é terra sem lei no momento em que escrevo isto.
Seta V. Os norte-americanos conseguem ser o segundo povo mais desagradável com que já conversei na vida, ficando atrás apenas dos brasileiros. A linguagem deles é simples, sem vida e feia, e eles escrevem com uma estilística paupérrima. Eles estão travados no complexo de édipo e exportam seus problemas estúpidos para o resto do mundo. Trata-se de uma nação remendada com um populacho intelectualmente volúvel. Eles não têm mente para outra coisa que não seja politiquismo — fenômeno que surge quando a cultura hegemônica cai nas mãos do rebanho estúpido —, jogos eletrônicos, músicas descartáveis e aplicativos de vídeos rápidos e ultracoloridos. Por outro lado, os filhos do Leste Europeu, por excessão de um tolo ou outro, são centrados, comedidos e frios na medida certa, mesmo os extremistas políticos.
Apêndice: O brasileiro? Ah, o brasileiro... estou sem arrogância suficiente para fustigar nosso povo. Deixo para outro momento.
Seta VI. Com a tensão entre Venezuela e Guiana, surge o risco de haver um conflito militar com o Brasil participando. Nosso atual presidente, o filho analfabeto do Brasil que se tornou representante dos anseios ridículos do brasileiro médio, anda de mãos dadas com o ditador venezuelano — não só com ele, mas com toda a cúpula do Foro de S. Paulo — e está querendo, em algum grau, equiparar a loucura venezuelana com o instinto de preservação territorial dos guianenses. Bem, apesar de tudo, espero que esse cachaceiro não envolva meu país numa guerra, pois me apresentei este ano ao Exército Brasileiro e não quero trocar tiro para defender socialistas. Caso o conflito ocorra, as mãos de vocês, brasileiros, estarão manchadas com meu sangue.
Observação: não é a primeira vez que gado burro de político coloca minha cabeça na guilhotina. A primeira vez de que eu me lembro claramente foi quando os bolsonaristas apoiaram ativamente a reabertura das escolas no auge da pandemia, quando eu estava no Ensino Médio. É incrível o dom desses adultos/idosos bolsopetistas de querer ver sangue jovem escorrendo pelo chão.