quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Eros II


Poema da Crueldade Trágica do Despedaçamento no Amor


Não posso olhar para rostos que prometem um sorriso

Sem que meus olhos ensaiem lágrimas.

Porque eu quero ter, quero possuir,

E quem engana não possui.

Quero que minha profundidade

Seja sua lembrança na minha ausência.

Quero chorar em seu colo,

Mostrar meu inferno,

Libertar os demônios do meu caos.


Minha melancolia é vontade de possuir.

Saiba que meus heróis morreram loucos

Ou amarrados numa corda,

Solitários,

Sem que houvesse quem os escutasse

Por que alguém me escutaria?

Saiba que meu mundo não é pequeno

E que não sou melhor que um criminoso,

Embora não seja digno de um crime.


A meus demônios, dei lógica, matemática

Química, física, gramática.

E eles têm vontade de liberdade.

Libertarem-se e invadi-la,

Para que seu amor seja um lamento,

Para que você seja devorada,

Para que eu a estilhace,

Para que você vista um véu negro em memória de mim,

Para que eu seja imortal na morte,

Para que eu viva em você.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Erga-se

    I. O conhecimento santifica no sentido original da palavra — separa o cognoscente do resto. Estudar cava fossos entre homens, e nunca conheci alguém que gostasse de ver outro acima de si. Em verdade, poucos elogios recebi ao longo da vida por estudar de modo sério matemática, física, química, português — o tratamento dispensado não foi outro além de indiferença ou desmerecimento. Odiá-lo-ão, invejá-lo-ão, diminuí-lo-ão.... no entanto, ali onde as trevas acabam, os campos verdejantes aguardam aqueles que se mantiveram fiéis a si até o fim. 

    II. Santificar-se é distanciar-se da média. O conceito geral de homem é uma ode à mediocridade. E, quando a distância é grande demais, a tensão se instaura, e o chicote se estabelece. Homem acima de homem — lei natural do poder. 

    III. Aos críticos, vocês não podem penetrar muros intransponíveis. Minhas muralhas só permitem o livre trânsito de amor e ódio — nada mais! Ainda não aprenderam a me odiar, nem aprendi a amá-los. Como se pode odiar algo desconhecido? Hei de pôr para fora as máscaras e libertar as luzes do meu caos, então poderão genuinamente tentar destruir-me. Vocês sequer conseguem ser inimigos; portanto, cresçam como pessoas para um dia provarem meu santo sangue.

    IV. Guerra é o que busco. Inimigos deseja Saint Nero. Sede, pois, dignos de minha cabeça.

Ditirambos ao Iluminado

    O iluminado cavalga sobre as montanhas em carruagem de nuvens. Seu peito se enche de ar para assoprar furacões, seus olhos brilham como fogo, seus cavalos gritam com horror diante de tamanha energia. Pés alados, pernas de ferro, tronco de bronze e rosto que reluz como ouro. Raios fogem de sua mão e acertam a face da Terra. Verdadeiro criador dos deuses, amante de Gaia, venerado por demônios e temido por homens. O sol e a lua se prostram em adoração ao iluminado, os animais entornam seu sangue como puro holocausto ao senhor, as fendas do planeta se abrem em violentos terremotos.

    Houve tempos remotos nos quais não era nem pai dos deuses, nem esposo da Terra, nem deus dos demônios, nem demônio dos homens. Como sua auréola se curvou com sua cabeça para que chorasse às margens do Eufrates, ó iluminado! Porque foi expulso de seu vilarejo por ter conhecido as artes ocultas. Porque se elevou, se santificou, conheceu a extramoral. Tornou-se um homem além de seu tempo, e o tempo se encarregou de tentar matá-lo. 

    Por que eu sou ateu?

    Porque a ideia da eternidade no paraíso apequenaria meu período de existência na terra e diminuí-lo-ia a um instrumento para a salvação. Eu afirmo a vida terrena como a única vida. Eu venero a vida, acredito no eterno retorno. Eu não quero viver na igualdade e paz do reino dos céus, quero viver a tragédia da vida — eu sou um herói trágico! Eu sou filho da vida, filho do universo, filho de uma vontade maior que, silenciada, passou de geração em geração. Eu sou vontade de poder encarnada. Eu sou além do bem e do mal. Eu sou um trem sem freios que segue ferozmente seus trilhos em direção a algo maior. Eu sou a noite, que cai e encobre o mundo em trevas impenetráveis. Eu sou filho do grande eclipse. Eu sou um leão que vaga pelo deserto, sem deus. Eu sou uma águia que sobrevoou o abismo e está em campos verdejantes. Eu sou a fera que estraçalha a presa na mandíbula. Eu me sustento em mim mesmo: é de minhas fontes, mananciais de vida, que meus motivos e verdades jorram. Eu não me calo, não me silencio. Eu sou a besta do grande meio-dia. Eu sou o super-homem. 

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Diário de Guerra


Prólogo

    Estas palavras ordenam e descarregam minha tempestade interna — que fique provado com este texto que não sou indiferente ao meu tempo nem quero ser. Eu sou sim parte da primeira geração com ilimitado acesso à tecnologia, e as sombras do fantasma comunista se escondem nas cavernas de hoje. Mas eu sou um destruidor de deuses e carrego em mim a chama de um passado imperial. Na verdade, menti um pouco... eu vou além do passado imperial e quero resgatar o cesarismo.

    Quem são os deuses de meu tempo? As lideranças metacapitalistas.

    O que nós, ó leitores, somos? Pontes para o futuro, inimigos dos deuses.

    O que o resto da sociedade é? Rebanho. 

    A meta? O caesar

    Excursões

    Seta I. O mais próximo que eu cheguei a me unir a um thinktank, panelinha ou circlejerk, seja lá como se queira chamar, foi quando descobri um grupo pagão esotérico. Pareciam, à primeira vista, transvaloradores; mas, tão logo os conheci melhor, vi que utilizavam uma estética progressista e ecológica, ao passo que pregavam hipergamia, eugenia e aborto. "Apenas brasileiros medíocres numa enorme confusão mental e com um torpe senso de superioridade." — concluí. 


    Seta II. A aurora do catolicismo na internet brilhou diante dos meus olhos há alguns anos — não pude deixar de me encantar com aqueles intelectuais convictos, donos de uma boa gramática e dominadores da lógica formal. Embora algumas coisas fossem duvidosas, como a tendência negacionista desse movimento jovem, era algo totalmente novo e acima do baixo nível das escolas brasileiras. 

    Parece-me, agora, que o movimento está em declínio — os jovens posam de sanctus, fazem forte proselitismo, ostentam seus terços e exaltam a missa tridentina — alguns mais loucos se aproximaram do sedevacantismo. O mundo está pronto e explicado para eles, quase todas as questões podem ser resolvidas com uma martelada que brada: "Gnose!". As soluções para seus problemas estão mofando num arquivo do Vaticano há séculos, e o que eles não pedem que Maria não possa dar, com todo o seu ar doce e sublime? 


    Seta III. Os jovens da direita reavivada por Olavo — que fique evidente a minha devoção por ele — desaguaram no distributismo, tradicionalismo, esoterismo, fascismo, liberalismo, integralismo ou nacionalismo. Desses segmentos, os únicos que me transparecem saúde são aqueles que não se esqueceram de elementos básicos do convívio comum e guardam o pragmatismo maquiavélico em si. 

    Não combinam comigo os ídolos imortais, os ideais descolados da realidade e a falta de etiqueta, mas a nova-direita, indefinida por natureza, porém da qual aceito o fardo de fazer parte, constrói deuses de papel e se portam de modo deseducado, inferior, chandala — os channers são uma doença!

    A nova-direita reproduz ódio e ressentimento de rebanho — será que não notaram até agora que moram num país mestiço, pobre e com diversidade de religiões? Eles estão ardendo em febre e, portanto, acham razoáveis o ódio de raças, a loucura de aristocratizar o cristianismo e a supressão das mulheres. Não compactuo com nada disso! Que os sacerdotes do ódio desapareçam, pois são infrutíferos e histéricos. Vocês NÃO SÃO pontes para o super-homem! 


    Seta IV. Jamais se associar a politiqueiros, filosofeiros, rabineiros e channeiros, pois estes são inconfiáveis e não conseguem guiar sua vontade nem amestrar seus instintos. O único motivo para eu não citá-los nominalmente é não eternizá-los em meus escritos. Meus textos têm lugar no futuro; suas loucuras desaparecerão na cova com vocês, mas restarão vestígios na internet. 

    Um recado às gerações do futuro: façam sumir todos os vídeos, fóruns e outros canais que esses ratos deixaram na internet. Como esses imbecis não têm relevância acadêmica e as redes aceitam qualquer idiotice, são nelas que eles multiplicam e propagam veneno hoje. Somente meus leitores do futuro poderão fazê-lo, pois a internet é terra sem lei no momento em que escrevo isto.


    Seta V. Os norte-americanos conseguem ser o segundo povo mais desagradável com que já conversei na vida, ficando atrás apenas dos brasileiros. A linguagem deles é simples, sem vida e feia, e eles escrevem com uma estilística paupérrima. Eles estão travados no complexo de édipo e exportam seus problemas estúpidos para o resto do mundo. Trata-se de uma nação remendada com um populacho intelectualmente volúvel. Eles não têm mente para outra coisa que não seja politiquismo — fenômeno que surge quando a cultura hegemônica cai nas mãos do rebanho estúpido —, jogos eletrônicos, músicas descartáveis e aplicativos de vídeos rápidos e ultracoloridos. Por outro lado, os filhos do Leste Europeu, por excessão de um tolo ou outro, são centrados, comedidos e frios na medida certa, mesmo os extremistas políticos.

    Apêndice: O brasileiro? Ah, o brasileiro... estou sem arrogância suficiente para fustigar nosso povo. Deixo para outro momento.


    Seta VI. Com a tensão entre Venezuela e Guiana, surge o risco de haver um conflito militar com o Brasil participando. Nosso atual presidente, o filho analfabeto do Brasil que se tornou representante dos anseios ridículos do brasileiro médio, anda de mãos dadas com o ditador venezuelano — não só com ele, mas com toda a cúpula do Foro de S. Paulo — e está querendo, em algum grau, equiparar a loucura venezuelana com o instinto de preservação territorial dos guianenses. Bem, apesar de tudo, espero que esse cachaceiro não envolva meu país numa guerra, pois me apresentei este ano ao Exército Brasileiro e não quero trocar tiro para defender socialistas. Caso o conflito ocorra, as mãos de vocês, brasileiros, estarão manchadas com meu sangue. 

    Observação: não é a primeira vez que gado burro de político coloca minha cabeça na guilhotina. A primeira vez de que eu me lembro claramente foi quando os bolsonaristas apoiaram ativamente a reabertura das escolas no auge da pandemia, quando eu estava no Ensino Médio. É incrível o dom desses adultos/idosos bolsopetistas de querer ver sangue jovem escorrendo pelo chão.