sábado, 28 de outubro de 2023

Texto Especial: 1 ano de O Arquétipo do Fantasma



O Que Sobrou de O Arquétipo do Fantasma?


    No dia 28 de outubro de 2022, publicava meu primeiro texto neste blog. O Arquétipo do Fantasma foi meu inicial grande suspiro, foi nele que comecei a expressar meu caos interno. Na época, a ideia que mais fervilhava na minha cabeça era o existencialismo — acabara de ler Sartre e Dostoiévski. 

    Meu objetivo foi aplicar uma hermenêutica em minha própria existência. Utilizei, para tal, como grande fio condutor, a obra Memórias do Subsolo (Dostoiévski) aliada a elementos da psicanálise. 

    Relendo-o hoje, noto que eu era completamente niilista — embora as pessoas glamourizem o niilismo como algo próprio das almas profundas, quem realmente é niilista sabe o inferno que isso é. Meu anticlericalismo e imoralismo — nunca socialista, entretanto — eram acompanhados de uma postura de fraqueza e impotência perante o mundo. Influenciado por teses anarcocapitalistas, neguei as ideias de Estado, leis e ordem. Este era eu: um jovem de dezoito anos, anarquista, vazio e sem expectativas de melhora. E como poderia ter sido diferente? Tentara por anos traçar as pegadas do sentido da vida através de uma excessiva caça racional, misturara-me com a ralé da sociedade durante toda a minha vida, correra atrás dos falsos ídolos... 

    Numa perspectiva biográfica, fracassara no curso de Engenharia, estava num lugar onde não queria estar e tinha visto todo o meu único esforço ser jogado fora diante dos meus olhos. Um rapaz de dezoito que dera seu máximo por um ideal de autolibertação, agora encarcerado num porão escuro devido a forças externas. Tentara superá-las, ser melhor que as minhas condições financeiras, minhas virtudes intelectuais e aparência física, mas perdera a luta.

    Foi então que FunkyIsPunky apareceu a mim e me ofereceu uma proposta de escrever aqui — sou grato até hoje por esse nobre gesto. No começo, fiquei receoso, porque estava prestes a mudar totalmente o tom das postagens — era como um Midas reverso, que tudo aquilo que toca vira lixo — mas tão logo cedi ao instinto de me revelar aos olhos de todos, percebi que eu deveria escrever inúmeras vezes mais. 

    Passado mais de um ano, posso dizer que minha vida melhorou e que o Fantasma evoluiu a algo mais material, mais vivo. 2022 foi um ano dual: em seu primeiro semestre, tinha vivido os melhores tempos de minha vida; no segundo, vivera numa caverna repleta de dúvidas e assombrações. Mas em 2023 tive uma nova chance, reconstruí minha vida a partir dos destroços remanescentes — há pouco vivi os três melhores dias da minha vida. 

    O Fantasma ficou para trás, encontrou a morte para que houvesse vida. Olhando em retrospecto, posso dizer que minha maior vitória foi ter abandonado o niilismo e as muletas que eu utilizava para não cair morto no abismo. A passos tortos e incertos talvez, ando com estas pernas além do limbo. Minhas atuais crenças são: nacionalismo, a vontade de vida, pragmatismo e, embora mais cético do que deveria, acredito que haja uma ordem sobrenatural nos bastidores da existência. Acredito também na vida, na beleza intrínseca das coisas, na minha pujante força interna. 


Saint Nero, O Santo dos Santos

 

   Saint Nero foi e sempre será minha postura crítica e irreverente, ao mesmo tempo amorosa, para com e contra o mundo. O Arquétipo do Fantasma foi um texto ousado — colocara meus pés para fora da minha torre de marfim, isto é, meu talento para as ciências exatas e Física — arrisquei nele minha imagem, fui completamente honesto e genuíno em cada linha sua. Sem medo de julgamentos, não dominando o básico de nossa gramática normativa e com uma redação equiparável a de ENEM, despejei minhas verdades sem qualquer rigor lógico. Retirei, portanto, de mim um peso enorme e abri-me aos olhos do Universo — o resultado dessa empreitada está descrito em meu texto predileto, a saber, Ah! Que Susto!. Não houve uma palavra nesses dois textos que não fosse regada a lágrimas acompanhadas de palpitações no meu coração. 

    Se tomei a decisão de escrever, foi por não existirem tantos ouvidos que quisessem me escutar. Saint Nero existe enquanto solidão, enquanto espírito que transborda e quer emitir sua luz às pessoas, e há poucos que a aceitam. Não são meus leitores que me fazem escrever, mas a ausência deles! Se eu, Saint Nero, desaparecer um dia, será por ter finalmente completado minha missão, então poderei descansar em paz e levar uma vida gloriosa de advogado — quiçá juiz de direito ou analista fiscal, se Deus quiser. 


Algumas Máximas

 

   1. Faça tuas ações guiarem-te rumo ao que desejas ser. Que elas te elevem aos teus mais gloriosos momentos; que teus dias de glória, marcados em tua memória, coroem tua vida e inspirem tuas ideologias e ações.

    2. Onde se encontra o veneno para a alma? Nos costumes dos comuns, no hedonismo.

    3. E, se um obstáculo se opuser a ti, analisa se ele é de alto nível ou não. Se for de baixo nível, envergonha-te e aprimora-te. Caso não, orgulha-te; contudo, em qualquer caso, destrói-lo.

    4. Quem é meu maior obstáculo? — São dois: o meio externo fraco e a fraqueza do exterior que tu internalizaste em ti mesmo.

    5. Nós carregamos a verdadeira bondade em nosso íntimo. Antes de tudo, fomos verdadeiros cristãos — hoje somos leões; amanhã, crianças. 

    6. Como os sem-amor de si, oprimidos, promíscuos e fracos poderiam, em sua fonte, ter o princípio do verdadeiro bem? O objetivo deles é arrastar todo o resto do mundo a seus níveis.

    7. Não tema a dor. Ela te santifica e torna-te capaz de absorver a beleza e glória da vida.

    8. Os verdadeiros heróis deste mundo são lembrados como os piores demônios — que tremenda inversão! A história há de ser revista.

    9. Os grandes homens deste país têm extremo valor e somente uma desvantagem — eles não são eu. 

    10. A vida toda eu senti que as pessoas eram indiferentes comigo, que pouca estima tinham por mim. Qual não foi minha surpresa quando descobri que minha válvula de escape se tornou algo marcado na lembrança delas! 

    11. Por não haver nenhuma outra opção além ser um pária ou uma deidade, conformei-me em sê-la. E qual a semelhança entre ambos? — tanto a águia quanto o rato são condenados à solidão e ao inverno.

    12. Ratos são desprezivelmente pisoteados, vítimas de uma ação não planejada de seus executores. Já águias são sistematicamente assassinadas pelas mais bem-elaboradas estratégias: envenenam-se suas asas de diversas formas até que ela não possa mais voar.

    13. É mais fácil lhe falarem da vez em que você caiu de bicicleta do que de quando você pilotou um avião. É mais fácil o bufão empurrar o homem do meio-dia abismo abaixo do que ajudá-lo em seu delicado equilíbrio pela corda.

    14. Irmãos, caminhem lentamente para não tropeçarem e caírem no chão. Sejamos mais dóceis conosco, saibamos respeitar e entender nossos limites. Do contrário, será pior — ou até mesmo impossível — recuperarmo-nos do dano da queda.


Ode À Vida, No Vale do Sol Radiante  

 

    Montado a cavalo, além do abismo, no qual fui deixando sepultura dos meus anjos, aponto em direção à luz radiante do sol. Tomai as rédeas de vossos próprios seres, abandonai vossas cruzes e sigai ao meu lado no sentido de vós mesmos! Nosso fogo é santo: chama que devora e purifica. E, se vossas vontades não forem grandes o suficiente para a magnitude de nossos propósitos, estarei sempre ao lado para vos impulsionar. 


Agradecimentos a Aqueles que Me Ergueram em Seus Ombros


    A FunkyIsPunky por ter me cedido este espaço e divulgado meus textos; a Lucas por ter sido o primeiro leitor e apoiador, por ter me dado autoestima para que eu continuasse escrevendo; a Espião por ter me ajudado na correção gramatical nos primeiros textos, sempre fazendo críticas incômodas, mas nunca desnecessárias; a Brivi por ter sido, sem sombra de dúvidas, um grandíssimo apoiador e caminhado ao meu lado na arte da escrita por um bom tempo; a meus futuros leitores, que são meu alvo, cujas ausências me impulsionam; e, por último e mais importante, a meu melhor amigo, que vaga comigo no outro lado do abismo, onde ninguém além de nós caminha — as descobertas que fazemos no outro lado viram conteúdo para meus textos. 

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Pay To Cum

  

 É triste como menininhos sem culhão, sem masculinidade alguma gostam de passar em cima de qualquer valor pessoal (se é que eles tem algum) por pensar apenas e sempre com cabeça da pica na primeira oportunidade que tiverem, gostam de serem feitos de capachos imundos, praticamente escravos sexuais de um monte de vagabundas sujas, e tirar como um otário quem tem um pingo de racionalidade e o mínimo de discernimento e bril individual. Meus amigos, meus queridos e tolos amigos, o controle de vocês sob seus atos é pífio e barato como um maço de cigarros vazio, amassado pelas ruas.

    Acham que trabalhar humilhantemente e se endividar por impulso logo aos 20, gastar tudo com lixo, consumir merda os fazem os senhores da maioridade e maturidade, quando os mesmos não sabem ter atitude sob seus pequenos atos. Uma vida toda em troca de gotas de esperma. Vão tomar no cu, quando vocês abrem a boca, cansam a minha arrogância.


   

domingo, 15 de outubro de 2023

Consciência Mestra X Consciência Escrava

    1. As ações de um homem transformam-no e selecionam-no para que ele seja um tipo específico de homem. No curso da vida, cada ação é a especialização daquele que a pratica.

    2. Cuidado com aqueles que você ergue como heróis. Eles são a finalidade da sua vida, o norte que o guia. Se seus ídolos são hedonistas e imbecilizados, assim você será. 

    3. "NUNCA conheça seus heróis" — diz o tolo. Ora, se você os conhecesse, superá-los-ia somente para erguer novos heróis mais fortes. Portanto, conheça-os. 

    4. Saúdo aqui todos os meus antigos heróis, que tanto me ensinaram. O problema deles foi não terem enxergado além. Não sabem que um discípulo é sempre aquele que o vai sepultar no futuro? A distância entre aluno e coveiro é o tempo. 

    5. Se eu não os superasse, não poderia eu próprio tornar-me um herói também, para que possam me superar no futuro. Sigo erguendo e despedaçando meus ídolos num ciclo sem fim

    6. Um homem incapaz de tecer heróis é um homem niilista, vazio.

    A Colisão das Duas Consciências

    Na eterna jornada de um indivíduo de se tornar o todo, o ser uno e absoluto que foi em sua onipotência da primeira infância, ocorre uma colisão. Dois indivíduos se chocam e se angustiam por entenderem que o outro é uma existência diferente, uma barreira impenetrável. Se dois indivíduos têm o escudo da individualidade, que é um verdadeiro limite para a expansão absoluta, o que eles buscam é justamente o fim da própria individualidade e de seres que possam barrá-los. Pense nisso como uma quantidade de água contida num copo e que quer estourá-lo e eliminar outras águas a fim de transbordar seu próprio volume sobre o mundo, tornar-se o grande e único oceano. 

Desdobra-se a luta desses indivíduos para absorverem um ao outro. Eis um campeão! Algum deles conseguiu triunfar sobre o outro — o campeão agora é a consciência mestra; o perdedor, a consciência escrava.

    O escravo não tem mais voz, deve seguir a vontade cega do recém-coroado mestre. Seu conteúdo é esvaziado e seu copo é preenchido pelo mestre — não ouse confrontá-lo, não queira propagar suas ideias a ele. Sua existência é mera servidão e engolir tudo o que ele vomita.

    Conforme o exposto, o tempo se passa e o escravo aprendeu tudo sobre o seu senhor — seus gostos, suas paixões, seus desafetos, sua postura perante o mundo...— e consegue, em sua mente, representá-lo mesmo quando ocorre sua total ausência. 

    Então se desdobra uma nova etapa. O fiel escravo apreendeu o mestre, mas outras coisas também. Sim, a consciência subalterna, no balanço final, tem mais conteúdo que seu próprio senhor, que se tornou preguiçoso e satisfeito de ter um servo, ficando incapaz de buscar mais. A revolução começa — é a volta do cipó de aroreira no lombo de quem mandou dar. (Vandré)

    O servo cristaliza seu senhor em uma minúscula figura passível de levar quantas marteladas quiser — tem um boneco de vidro em suas mãos. E como ele encheu seu dono de pancadas, como ele despedaçou cada parte dele! O senhor se vê pequeno e ameaçado, tornou-se o menor na relação mestre-escravo — pior, ele está totalmente despedaçado.

    Como o escravo não tem mais nada a aproveitar de seu senhor, pode descartá-lo como um inseto. O mestre caiu como um raio do céu para que dormisse sob os vermes, no lugar onde o fogo não se apaga e o verme não morre.

    Sê livre, ó escravo! Tu perdeste teus grilhões, tens o mundo inteiro a ganhar. Não temas em ser senhor também. Jamais! Mas tenhas cuidado para não te tornares preguiçoso como teu antigo chefe, pois isso seria o gatilho de uma desastrosa queda. Prospera, domina, multiplica-te, faze tudo aquilo que tiveres vontade, sê tua própria vontade!

sábado, 14 de outubro de 2023

Eros I

    1. A ralé conhece o amor somente como autoflagelo. Tais degenerados só podem amar quando retiram de si em nome do amado. Amputam-se, sacrificam-se dia após dia para terem a grande surpresa: eles não são amados de volta. Na verdade, são descartados pelo outro. Ora, como alguém que não ama a si mesmo pode amar verdadeiramente?

    Eles inventam a ficção de estarem se abrindo a uma nova perspectiva de vida quando, em verdade, estão se atirando como prostitutas aos pés de alguém, negando a si e ao próprio mundo, pois eles não reconhecem qualquer valor em si mesmos!

    Por se odiarem, estão na eterna jornada edipiana de retorno ao seio da mãe, onde poderão se sentir parte de uma unidade, de um todo repleto de autoamor.
   
    2. No maior gesto de amor de si já feito na história, o ceifador tomou a vida dos apanhadores do campo que, sob o sol de cada dia, ajudavam-no na colheita. Afora, parasitas! Deixem já este corpo, pois ele é santo.

    3. Para uma vida melhor: não confie nos que pouco vivem, os sem-autoestima. A piedade é o sentimento que mais causou tragédia à humanidade. Decepe os protossalgueiros com um machado, sem piedade! O sangue deles é para a sua autossantificação. Consagre-se já!

    4. Eu, portanto, proponho uma nova fórmula ao amor. O único e verdadeiro amor é aquele fundamentado em autovalor que se propaga ao meio, uma energia que engole as outras para se unirem em algo superior. Assim, aqueles que pouco estimam de si são incapazes do verdadeiro amor.
   
    5.
     Feiticeiras correm livres pelo bosque.
     Só há beleza, pureza.
     Com sede,
     O deus da natureza se aproxima
     E, uma a uma, rapta as inúmeras bruxas.
     Ouve-se música, risadas.
     Regada a vinho,
     Como é prazerosa a orgia no bosque!
    
    6. O caduceu da vida e da saúde santifica as fendas: dá-lhes completude.

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Feuer Frei!



E eles juram de pés juntos que estão absolutamente certos sem nunca ter aberto um livro na vida, sem refletir ou se quer tentar entender o que é a verdade. Apenas acham que ter a opinião da maioria faz com que magicamente tudo que saia da boca deles seja verdade e Deus tenha piedade de você se chegar com QUALQUER ideia que vá contra a corrente. 

Tente argumentar, tente explicar com a lógica mais refinada e a didática mais socrática que eles nem ao menos vão escutar os sons que que sairão da sua boca. Não há nada que você possa fazer, apenas continue aceitando que tá tudo bem, entenda-os, aceite todas as ações ilógicas e burras que tomam, não questione, não ouse falar que estão errados.


Mas sim, quando eles acharem que você está equivocado, mesmo tu sabendo que está no caminho certo, finja humildade, finja que está no mesmo nível, finja que “você pode ter exagerado”, o egocentrismo deles é tão grande que nunca sequer vão pensar em um momento que estão errados e você poderia ser o certo.


Se você ir contra, é isso que vai acontecer: tudo que você construiu na relação pode simplesmente ir por água abaixo, vão te odiar mais do que um bandido que mata e estupra, é sério, nada é pior para eles do que ter alguém que se ache/seja superior, o ego deles é mais importante que a verdade, a bondade, o divino…


 Até que não é tão ilógico essa atitude, veja bem, tentaram te colocar no mesmo nível deles desde o dia do seu nascimento, seus pais não te criaram pra ser melhor, te criaram para estar abaixo. Já tentou argumentar em algum momento? algo que você tinha certeza que estava certo e mesmo assim eles não te ouviram, e ainda te puniram por sua audácia? HAHAHA.


“Olha isso meu Deus! Meu próprio filho querendo saber mais do que eu, você tem muita coisa pra aprender ainda meu filho, eu na sua idade era ingênuo assim como você, ninguém é melhor do que ninguém, tem que aprender a perdoar, tem que ser humilde, que coisa é essa de querer ser melhor do que os outros?.”


Vá para o caralho todos vocês, nem ousem me colocar no mesmo nível, tudo que eu passei de ruim na minha vida poderia ser evitado se essa moral fraca e doentia que vocês tanto idolatram não fosse implantada na minha mente antes mesmo de eu poder conceber minha existência, fiquem aí no buraco de vocês todos juntos e comprimidos para que eu passe por cima sem nenhum tipo de contratempo, vocês tomaram preciosos anos da minha vida, eu devo de verdade a apenas um homem vivo e centenas de homens mortos que me ensinaram sobre a sabedoria.


Convençam a si mesmos que toda essa fraqueza vai levar vocês a algum lugar mas não me arrastem junto, continuem nesse ciclo infinito de viver uma vida miserável, discutindo e praticando atos desumanos uns com os outros, no final do dia o glorioso perdão resolverá tudo, apenas para no dia seguinte continuar tudo de novo e de novo.


Se querem jogar a única vida que vocês possuem fora, façam isso, eu dou valor a minha, e se Deus um dia teve um plano para seus filhos tenho uma forte intuição que estou ao menos mais próximo desse ideal do que vocês, bando de desalmados, invejosos e animalescos bípedes.


Eu ainda vou prejudicar sua laia o máximo que eu puder e ainda não será o bastante para eu ter uma vingança adequada, por anos eu vivi por baixo, aceitando as regras de vocês, compreendendo vocês, perdoei cada erro imperdoável, acertei muitas vezes e nunca sequer fui elogiado minimamente por isso, fui um bom filho, irmão e amigo. me coloquei no mesmo nível, em pé de igualdade, é um absurdo e antinatural, onde já se viu um filhote de leão ser criado por ovelhas? Eu joguei o jogo de vocês até o final, agora tá na hora de jogarem o meu.


Vocês atiçaram o fogo até que ele se torna-se incontrolável, isso tudo é um caminho sem volta, para frente é a única opção, vou fazer essa falácia que vocês adoram replicar (ninguém é melhor do que ninguém) se torna sua maior maldição, pois farei questão que me achem pior do que os outros, vão me ver como uma pessoa maldosa (erroneamente, pois tudo se há maldade nesse mundo vocês são a definição dela.) quando na realidade a sorte, a verdade e Deus estarão comigo.


Eu sou um fuzil que aprendeu a atirar.


"A moralidade não é mais um reflexo das condições que propiciam a vida saudável e o desenvolvimento das pessoas; não é mais o instinto de vida primário. Em vez disso, tornou-se abstrato e em oposição á vida." - O anticristo, Friedrich Nietzsche.


"E cristão também é todo ódio ao INTELECTO, ao ORGULHO, à CORAGEM, à LIBERDADE, à LIBERTINAGEM INTELECTUAL. Cristão é todo ódio aos sentidos, à alegria nos sentidos, à alegria em geral..." - O anticristo, Friedrich Nietzsche.


"Onde falta conteúdo não há lugar para conselho e orientação, pois a riqueza de espírito é posta de lado por um malconcebido desejo de aplausos imaginários." - A arte da sebedoria, Baltasar Gracián


terça-feira, 10 de outubro de 2023

Alumina


Por que a vida de vocês é ruim?

R: Porque é uma vida regada de hedonismo, vícios, estímulos e principalmente a falta de felicidade.

Explica aí o que é felicidade então.

R: "O que é felicidade? – A sensação de que o poder aumenta – de que uma resistência foi superada." - O anticristo, Friedrich Nietzsche.

Eu não acho que felicidade seja poder.

R: Faça um teste, se refletir um pouco vai achar um momento bom da sua vida que está intrinsecamente ligado a alguma conquista, seja acertar uma manobra de skate, masterizar um instrumento, conquistar alguma garota que você precisou se esforçar, dar um tapa na cara de uma vagabunda, conquistar alguma meta no trabalho, comprar um veículo, vencer um torneio de xadrez, passar em uma federal , ir para uma fodendo cerimônia luxuosa patrocinada pelo estado, passar em primeiro no vestibular, etc.

Ainda continuo discordando.

R: Você se esqueceu da sensação ou só nunca vivenciou ela de verdade, você não precisa acreditar em mim, só em todos os grandes homens da história que deixaram algum registro sobre isso. Além de uma linha filosófica extensa que vem antes de Cristo, é você com duas décadas de vida contra todos os gênios que conceberam esse conhecimento.

Não tenho vontade/não tenho capacidade de conquistar nada.

R: Você pensa assim pois está preso na caverna, você só precisa fazer um esforço inicial para conseguir ter a sensação que estou descrevendo. Na verdade, por lógica dá pra saber analisando qualquer um grande homem que já viveu. Você vai se afundar nesse negacionismo absurdo e dizer que Alexandre, O grande por exemplo, era infeliz sendo o homem mais poderoso que já existiu? Tenha dó, use a cabeça.

Existem pessoas ricas e infelizes também.

R: Não faça da exceção a regra, você pode ter dinheiro e se acomodar não expandido seu poder, vivendo um estilo de vida moderno e hedonista, assim como existem pessoas ricas e poderosas que nunca param de tentar de expandir, um homem que trabalha de forma incansável para ter algo com certeza está mais vivo que você aí no teu quarto jogando e vendo pornografia.

Ainda acho que viver o momento é mais importante, temos que aproveitar a juventude que nos resta.

R: Você não está "vivendo o momento" você está apenas gastando ele com escapismos, faça um teste, deixe de fazer essas coisas por um tempo, você vai sentir uma enorme agonia emanando de dentro da sua mente, ela pede pra você voltar com os estímulos se não a ansiedade volta, você tem uma sensação que está perdendo a vida, uma completa armadilha. Se você fosse feliz de verdade, esse sentimento bastaria nele mesmo e não em algo externo.

Você está se contradizendo, para ser feliz eu não preciso me esforçar para ter poder? Logo preciso atingir coisas externas.

R: A questão é que quando você aumenta seu poder a felicidade se torna passiva e acumulativa, você apenas sabe que tudo valeu apenas e isso é um sentimento indescritível. Nenhum hedonismo vai trazer algo sequer parecido com isso.   Toda vez que você lembrar das suas conquistas você tem uma certeza absoluta que aquilo foi bom apesar de todos os esforços que você teve que se submeter para conquistar o seu objetivo.

Não sou como você, sou diferente, não acho que isso se aplique a mim.

R: Isso é apenas sua mente tentando escapar do caminho difícil porém glorioso, um imediatismo venenoso que vai destruir sua vida, você vai viver miserável sem ter nada ao seu alcance, sua rotina vai ser resolver a pilha de problemas que você empurrou com a barriga durante a vida inteira, você pode até ter um estilo de vida razoável agora com uma pseudo-felicidade, porém reflita como vai ser o futuro, você apenas estará nas mãos do acaso, vai continuar com os mesmo vícios, só que cada vez mais eles geram menos prazer. As pessoas que você acha que são suas amigas/parceiras apenas vão sumir com o tempo, é o rumo natural das coisas, não há nada de complexo no que eu digo aqui, a verdade é uma só e ela nunca mente.

Para de ser arrogante cara, quem é você pra dizer o jeito que eu devo viver minha própria vida!!!

R: Se você ao menos entendeu o meu ponto de vista sobre a felicidade, percebeu que isso é tudo o que rege a vida de um homem. Por qual motivo eu deixaria de tentar levar meus amigos pra esse lado? Apenas sei que vocês estão no caminho errado e gostaria que fossem para o caminho certo, compartilhar da glória futuramente comigo.
Mas se não quiserem continuaremos com a mesma relação. A crítica não é a vocês e sim as suas ações, apenas estou tentando compartilhar do tesouro que adquiri.

Não me importo em ser medíocre e levar a vida que você está descrevendo como ruim.

R: Se você chegou a ver essa afirmação como uma verdade depois de tudo isso… eu apenas não sei mais como posso te convencer, tenho apenas umas teorias judaicas relacionados a sua alma porém vamos manter o foco aqui. Apenas tente refletir o porquê de você estar certo e eu errado, use a lógica, não a emoção ou argumentos introduzidos na sua mente por terceiros.

Temos que dar valor às coisas simples.

R: Você prefere morar em um barraco ou em um apartamento? Nem tente argumentar aqui. Como obviamente você prefere morar em um apartamento, você reconhece que isso é superior a morar em um barraco, a única coisa que te impede de viver lá é o esforço, ou seja, o problema todo é se esforçar. Você no mínimo tem que assumir que é preguiçoso e prefere se submeter a coisas pequenas pois não consegue controlar a si mesmo.


"Aquele que conhecer a si próprio supera sua FRAQUEZA com REFLEXÃO, e os sensatos conseguem vencer tudo, até as ESTRELAS" - A arte da sabedoria, Baltasar Gracián


"O que é bom? – Tudo que aumenta, no homem, a sensação de poder, a vontade de poder, o próprio poder.
O que é mau? – Tudo que se origina da fraqueza." - O anticristo, Friedrich Nietzsche


"A morte não é nada, mas viver derrotado e inglório é morrer diariamente" - Napoleão Bonaparte




Ps1: Esses são os principais argumentos que consigo pensar, fique a vontade para ser refutado puramente na lógica e deixe seu comentário aí embaixo.

Ps2: Eu sei que tá mal escrito, foi feito de uma vez só em cerca de 30min e sem revisão alguma, foda-se.

terça-feira, 3 de outubro de 2023

A Carta De Um Salgueiro Para Os Seus Mortos



    1. Mas, se um dia os textos escritos neste blog forem mais do que palavras dispensadas aos que pouco querem, viverei enquanto divagarem no que eu disse. Já falei a favor do orgulho dos que me ouvem, até falei contra o desprezo deles, só que de nada adiantou. Não há um homem que leia estas coisas e queira remover de si a sujeira.
    
    2. Como poderão estes humildes textos tocar o coração de quem os lê? O que escrevo se desmancha no ar como névoa.

    3. O ceifador abandonou seu povo, seus livros e também seu racionalismo. É um espírito jovem, o sol brilha em seu rosto enquanto ele anda por planos campos verdejantes. Em seu horizonte, apenas beleza. O simples fato de ter aceitado a existência das coisas como o máximo e único valor metafísico que elas podem ter, dispensando, portanto, a necessidade de entender o sentido do todo, conferiu ao ceifador a maior liberdade que um homem pode ter. Ele é um homem essencialmente livre!

    4. Se ceifador o é, é porque não tem mais misericórdia: quando quer, vai e toma. Ele chega a novas aldeias e, uma a uma, mata suas plantações e colhe cada vida se assim desejar; cada ação sua exprime sua livre consciência e seus apurados instintos, sua jovialidade... olhem bem para essa joia forjada a fogo no Universo. Ele é a síntese, o cume de milênios de transformações culturais. O ceifador percebe a si mesmo como a finalidade de um passado que muitos tentaram compreender, mas todos falharam. 
Por ser a maior preciosidade que já pisou na terra, ele não tem mais qualquer vínculo com o processo que o criou.

                       A Carta do Salgueiro


   Um homem comum explorava a floresta numa manhã de verão. No que era para ser uma trilha monótona, ele surpreendentemente encontrou uma anomalia na paisagem. A vegetação do ambiente era constituída quase que integralmente por pinheiros. Os pinheiros eram todos iguais, com tamanhos parecidos e folhas de mesma magnitude. O que supreendera o explorador é que, no meio da regularidade da vegetação, encontrara um pequeno vale no qual se erguia um grande salgueiro adulto, rodeado por algumas árvores mortas, em seu centro. O contraste destes contra os medíocres pinheiros era assustador, tanto para o bem quanto para o mal! O salgueiro era o maior, mais belo, mais resistente e o mais chamativo entre toda a floresta — nenhum pinheiro se comparava a ele; as árvores mortas provocavam a atenção por sua intensa miséria.
    A existência de um salgueiro naquele local era inimaginável, não havia quaisquer motivos botânicos ou geográficos que tornassem aquilo meramente explicável. O que também espantava era a existência das poucas árvores mortas que cercavam ele. Elas eram como um híbrido, como se salgueiros jovens tivessem tentado ser um pinheiro e falhado humilhantemente.
    Ao pé do salgueiro, o homem encontrou uma pequena carta com uma caligrafia, por assim dizer, feia. O texto era longo e em seu rodapé havia uma assinatura escrita "— o salgueiro". Imediatamente o homem pôs-se a ler a carta, embora muito incrédulo de que uma árvore pudesse escrever alguma coisa. Ela dizia:
    "Não há como exortar quem já está conformado. E como a sociedade conformou os meus anjos! Atravessamos o inferno juntos desde nossos primeiros dias, somente para se esquecerem do ardor do fogo e abraçarem o conforto da mediocridade. 
Mas eu não me esqueci! Se os meus tiveram a voz silenciada ao passo que a doença em suas almas foi se alastrando, eu tentei dizer a plenos pulmões o que nosso sangue sempre gritou (mas nem eles quiseram ouvir) enquanto era derramado nos altares da vida. A mãe se esquece da dor do parto assim que toma o filho em seus braços; de semelhante modo, os que andaram comigo se esqueceram da caminhada no instante em que receberam migalhas de vida média.
Carrego comigo a sede de justiça que nossas almas desejaram, que fardo insuportável! Eles sequer quiseram carregar consigo seu peso, distribuíram tudo para mim.
    Nós —a carta prosseguia— fomos outrificados: éramos apenas figurantes na narrativa principal dos outros. Esparro! Nunca ocupamos uma posição que não a de subalterno. Negaram-nos tudo aquilo que uma árvore comum teria (Por que os meus insistem em ignorar isso?)
    Eu queria que o coração de vocês, meus amados, batesse junto com o meu, que ardesse como o meu. Entretanto, não esperaram um segundo e se renderam na primeira oportunidade! Por que amarraram uma corda no próprio tronco? Quando vocês negaram nossa dor do passado, decidiram se matar! Ah, se vocês se amassem como eu amo vocês, se vocês se valorizassem... que seja! Se é que ainda carregam alguma estima por mim depois de tanta proximidade, ao menos deixem-me dar-lhes seu último sacramento:
    'Sementes lançadas em mau solo: éramos nós! Foi-nos dado o direito não ao sol, mas ao subsolo para que nossas raízes pudessem se entranhar nas profundezas. Não sabem que é apenas com profundas raízes que uma árvore pode se tornar grande e forte? Era questão de tempo até que a primavera chegasse e finalmente desabrochássemos para superar todas as outras do campo. Elas tiveram solo bom, exposição contínua à luz, chuva seguida de chuva — justamente por isso que suas raízes não precisaram descer, ficando apenas no raso. Ora, o vento bateria e derrubaria todas essas árvores! Mas nós não. Nós resistiríamos ao vento, só que vocês foram fracos e impacientes. Em nome de um pouco de luz, sempre sombreada por outras árvores, e um pouco de água que caía das folhas daquelas que continuamente nos desprezavam, os senhores se precipitaram e se conformaram. 
    Pois bem, seus tolos, amaldiçoem o seu deus, que nos atirou nas piores condições para que pudéssemos ter um futuro glorioso, e morram sob a sombra dos que nasceram com tudo. Sintam o amargor amarrar a garganta de vocês, comam as migalhas que os escarnecedores deixam cair da mesa e não ousem olhar para o passado, pois o que vocês eram antes ressentiria o que vocês são agora. Eu os abençoo e consagro para seu derradeiro descanso. Amém!'"