sexta-feira, 30 de julho de 2021

30/07 - Requiém Para Mocidade

 Oh meus irmãos, é numa madrugada fria e tão silenciosa quanto passos de gatos que venho expressar algumas de minhas "pseudo-dores"; pedras no sapato; farpas na mente. Sendo assim, não poderia deixar de vos dizer o quanto existe uma intensa dissonância entre eu e o mundo de ideias gerais que me cerca. Quem se dispõe a observar minha persona a olhos nus, logo, não perceberá o quanto eu, de certa forma, desprezo muito das atitudes, ideais hipócritas, dos jovens a qual sou conteporâneo.

   
     Vejo que vários de colegas de infância cresceram, tomaram rumos quase por completos, homogêneos, em ações e opiniões, enquanto eu, sempre muito à parte disso tudo, fui me afastando cada vez mais, e hoje são pessoas que na maioria das vezes somente damos bom dia e seguimos, não há uma conversa franca, de coisas interessantes e agregadoras, se houver, é tão raro quanto eu não achar alguma frescura moderna um tédio. E sério, as vezes isso toma com um aroma de um certo desamparo, angustia, ao pensar que fica cada vez mais díficil sentir um ânimo em adicionar ou readicionar alguém novamente ao nosso ciclo, e as vezes com conforto, serenidade de saber que de todo esse circo, eu posso me sentir diferente. Caralho, não sei se nós crescemos tendo uma educação medíocre; ou se um pontecial abestamento mental se espalhou por essa geração dos 90/2000 pra frente; ou uma malícia altamente minusciosa e certeira ,de influência da mídia, corrompeu e corrompe muitos todos os dias, sabendo que ambos são prováveis. Vejo uma onda de querer ser o "justiceiro"; "bonzinho"; "sensato"; "cancelador". As aspas não são atoas, todos esses títulos vem carregados de uma mentira, ego a ser massageado, uma hipocrisia tão nojenta, como se todos fossem tão virtuosos a ponto de se acharem no direito de jugar certo e errado, fuder a vida de qualquer um, afim de curtidas e reverenciamento digital e ainda quererem cobrar a todos que façam o mesmo, se não serão os "fascistas". Uma pregação de liberdade, falsa, pois a liberdade aos olhos de tais, é somente ao ponto que suas ideias e ações sejam de concordância da bolha. O amor ao próximo, a menos que pense diferente, dai sim pode xingar até não sobrar ar nos pulmões.

   Ao mesmo tempo vejo uma onda auto-destrutiva, tanto em decorrência à tudo que disse acima, quanto aos costumes podres que perduram e se atualizaram nos dias atuais. Não se tem senso ao confundir liberdade com não ter pudores, onde não é difícil ver adolescentes antes dos 18 discutindo sobre ressascas, e planejando parar de se drogar no mês seguinte. Bicho, me soa óbvio, a tv te propõe isso 24h por dia, a música popular, a população em geral, a própria internet, pra manter-nos como "proletas" de 1984 (livro), inúteis por si só, incapazes de raciocinar. Mas nada disso pode suprimir a capacidade individual de se reveter a isso, não se pode esconder, mesmo com tudo isso, mesmo sendo díficil romper com esse ciclo de fezes interminável, o defunto nas costas ainda é seu, muito se fala sobre comunidade, pouco se discute sobre o indivíduo, o que compôe o todo, negar sua personalidade em nome do popular, me parece negar a própria vida à custa da aceitação de quem não ta nem ai pra ti. Hoje em dia, deixar sua individualidade ressaltar sobre as camadas de influência popularesca é um gesto nobre a si, e sem cobrar, fazer com que isso se torne um exemplo aos demais envolta, será a faísca de uma evolução (a verdadeira). É por onde tento me conduzir, pra não cair nas falácias modernas. Lápidar meu ser, busca de sabedoria, nesse mundo hostil, ser alguém melhor é uma labuta!.
(Tudo que disse são meras opiniões, não as tome como verdades (nem mentiras), muito menos absolutas, talvez como rudes informações, ou pontos de vistas)

"Pense, num mundo ideal onde o individuo é o principal
Você consegue imaginar?
Devo enfatizar, aja como se já tivesse lá
Ao invés de ter ficado sentado, como se nada fizesse pra mudar essa porra"

-Shawlin, "Oqueéoquintonandar".

terça-feira, 13 de julho de 2021

"Caralho, esse álbum aqui tem alma"



Em 2007, fora lançado um dos, se não o meu disco mais importante, como ouvinte, Ruas Vazias do Shawlin (Atualmente conhecido por "Cachorro Magro"). 

  Eu diria que posso usar esse disco como marcação de tempo assim como -Antes De Cristo, Depois De Cristo- Antes de Ruas Vazias, Depois de Ruas Vazias- haha, lembro do momento em que conheci esse álbum, era uma fase um tanto quanto conturbada da vida, eu me via solto no mundão, nada condizia com o que eu acreditava, não me sentia representado em nada, realmente me sentindo um intruso nessa loucura moderna social, dai veio essa obra genial, e foi um acontecimento foda (não levem isso como se eu fosse um puta baba ovo, mesmo que pareça) passava dias quase que por completos com cada faixa tocando alto no fone, na rua, em casa, no rolé de skate, xarpi na casa da minha mina. Isso realmente me deu um tino que eu não era completamente alucinado e existiam pessoas que mesmo que por um momento se assimilavam ao que eu conduzia pelos vagões sujos da minha mente.

   As rimas eram muito inteligentes, e cada linha soava como um soco na mente, diziam muito do que eu guardava pra mim, os instrumentais eram viciantes e muito bem construídos, especialmente para a faixa "Afirmação Da Vida", uma das mais contagiantes, e uma das que mais gosto (Um adendo, para o sample que até hoje eu não encontrei haha) os interlúdios de poemas de Carlos Drummond nas faixas "Acho Que É", e "Fui e Voltei", juntamente das bases sampleadas boom bap estralando que acompanhavam transmitiam um ar sombrio, sério e intelectual, com um certo aspécto temático do disco, pra mim, andar pelas ruas sem uma alma perambulando, a noite, com as luzes alaranjadas iluminando os passos, assim como a que aparece na capa, e no encarte do CD. A "Intro" bem sintetizava de forma simples, direta, sem ser conceitual e de forma falada, pelo próprio Shaw, a ideia do disco, transmitir de forma simples bom senso, amor à vida, respeito pelo próximo, "pá todo mundo ficá namoral" amor pelo que se faz, junto de uma cantarolada no fundo "Com a caixa, bumbo, bumbo, o tempo passa, São porcos e diamantes, entre jogos e trapaças" que grudava na cabeça. A faixa "Eu Mermo" era puro empoderamento e um toque sobre independência tanto pro ouvinte, como pro Shawlin que mostra de forma veemente seu esforço e orgulho sobre o disco e as adversidades no qual passava no momento, lembrando, que o disco inteiro, fora as duas últimas faixas, foi escrito, produzido, mixado por ele, um puta exemplo a ser tomado.

    As faixas "Nostalgia", e "Amigos", sempre me soaram com um ar de muita simplicidade de vida, mas muita riqueza espiritual, especialmente pra segunda que encerra o disco com exatidão no sentimento de conclusão, mas que te deixa pronto pra começar o CD tudo de novo. "Dívida de Gratidão" é auto explicativa pelo título, nessa o shaw deixa claro como é grato pela vida, as pessoas importantes ao seu redor e a deus; "Aliança 2006" e "Neblina" expressam a verdadeira vivência de rua com os parceiros, e um belo "foda-se" pra moral e bons constumes, até pras imundas truculências policiais no subúrbio carioca, "Ruas Vazias" a faixa título, não se destaca por se diferente das que citei acima, é pura vivência igual, mas como o próprio Shaw diz " Eu não preciso dizer nada, o turno da noite fala". "Vem K" é aquele espaço pro love, quem não gosta?, sei que o amor parece muitas vezes uma dor, e o cupido ruim de mira, mas posso deixar aqui: "quem não amou uma vez, se fudeu, pois viveu em vão". "Mundo Do Rap" e "O Rio É Coisa de Cinema" exala um ponto de insatisfação tanto como alguns percalsos, e pangarés na cultura do rap, hip-hop, como algumas fatalidades corriqueiras e ignoradas na cidade que no momento pode ser tudo menos "maravilhosa"

          Aê rapeize, acho que expressei bem o que esse discão significa, até pra mim, e porra, se tu ainda não ouviu esse clássico, ou tu é muito influenciado por bostas midiáticas ou ta esse tempo todo moscando sem pudor, vou deixar um link logo em baixo, pra download e pra ouvir pra quem não teve a experiência, é isso, Shawlin Ruas Vazias, 2007, ouça sem moderação. GRATIDÃO!!



Pra Ouvir:

https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_nKf9aNfHn82DmBEKUn0lnzYZmvl8Xm1pc&playnext=1&index=1


Pra Catar:

http://www.mediafire.com/file/di5a7yorz0n09t7/Shawlin_-_Ruas_Vazias_%25282007%2529.rar/file