domingo, 23 de fevereiro de 2025

St. Nero - Vol. 1

 O que fazer?


Há em nós múltiplas pessoas, vozes dissonantes que, a seu modo, apontam em direções contraditórias.

Então, o que fazer?

Quando se segue um impulso, as consequências podem ser nefastas

mas, se é o medo que o impede de fazer algo, o medo é uma voz a ser seguida?


Então, o que fazer?

E se o dever for apenas um jogo de palavras?

Não há escolha, livre-arbítrio não existe

a vida é um comando frio, nada mais.


Mas chega de palavrório

Agora devo começar a ação

Nada importa -- é a única verdade objetiva.


Do Perdão a Si


Eu nunca fiz algo de errado na vida.

Uma vez que eu entendi a fonte de minha natureza, 

notei que sempre esteve lá, o impulso oculto que governa minha vida.


Mas quem pode perdoar a si sem inevitavelmente perdoar a todos?

Somos animais tocados pelo destino.


E se o destino for guardar rancor? 

Quem poderia optar pelo perdão assim?


   Aforismos


1. Nesta cidade, o caldeirão da cultura estava efervescendo na juventude. De certo modo, eu me sentia parte disso, mas como um lobo solitário no processo. Tenho certa resistência natural para me agregar aos meus pares. Não é uma resistência motivada por orgulho ou falta de autoestima, as coisas só são assim mesmo.  


2. Os jovens daqui estão amadurecendo com um gênio artístico especial que só as condições daqui poderiam criar. Aqueles rapazes eram comunistas, mais uns entre tantos outros. Outros rapazes, entretanto, tinham influências da extrema-direita europeia -- mais uns entre tantos outros. Confesso que era de se espantar que houvesse tantas pessoas interessadas por esses assuntos aqui. Eu particularmente não me importo tanto assim com política, embora entenda bastante da coisa. As pessoas tendem a suspender a gentileza umas com as outras quando a política vem à tona nas rodas de amigos, e eu não acho que eu possa ganhar algo brigando com as pessoas por ideias que eu nunca poderei pôr em prática. Mas não julgo quem o faça.   


3. Como um bom jovem daqui, tenho um senso de superioridade elevado. Essa vontade de se afirmar perante o mundo é talvez nossa melhor característica: se temos um dever, julgamo-nos os únicos capazes de cumpri-lo. Essa autoconfiança vem direto do coração, não por um motivo exterior qualquer. Antigamente, eu atribuía meu senso de superioridade às constantes bajulações que eu recebi na infância -- mas eu estava enganado. Os jovens excepcionais daqui, bajulados ou ignorados ao longo da vida, têm naturalmente essa brasa ardendo no peito.


4. A meu modo, posso ser considerado um conservador em minha vida privada. Prezo bastante pela ideia de família, mas às vezes me julgo meio patético para carregar valores tão nobres -- é como se eu estivesse tornando feia uma causa tão bela. Politicamente, identifico-me com a posição de radicalista aristocrático. 


5. É onde está a comunhão entre pessoas superiores que está Deus. Nós, os espíritos livres, somos a encarnação e superação da consciência coletiva.  


6. Bastava um sorriso seu para que meu coração queimasse pelo resto do dia. A imagem que eu tinha dela era como a de uma santa intocada, que está lá mas nunca está de verdade. Ela se apresenta ao mundo de modo que ninguém pode retirar os olhos dela, mas tampouco alguém poderá tocá-la. Chega a ser provocativo de sua parte. O adjetivo que a melhor descreveria seria inacessível. Sua inacessibilidade me castiga o coração: é como saber que há ouro do outro lado da ponte, só que você nunca pode cruzar a ponte. Ela, sim, seria uma companhia ideal, daquelas que permitem que você realize mais ainda suas potências silenciosas. Sem a companhia perfeita é impossível atingir a solidão perfeita, certo?


      6.1. Disse o medroso: o homem forte deve andar repleto de armaduras, de modo a nunca vacilar e se encantar pelos feitiços da vida. Mas eu tenho um recado para vós: não sois de modo algum pontes para o super-homem. Todo aquele que não desenvolve a vida já está morto. 


       6.2. Como? Disseram-me que eu perderia a luta, mas eu digo: já perdi.  


       6.3. E quem continuaria vivendo se não fosse pela esperança infinita no futuro?

7. Em nossos tempos, alguns homens, aparentemente masculiníssimos, mimetizam uma espécie de herói estoico: o homem ideal e inabalável que, indiferente às intempéries da vida, se mantém estático e plácido. Tais "heróis" de nosso tempo julgam que tudo o que ocorre de ruim em sua vida é responsabilidade sua -- nada se deve protestar contra o externo, pois esta seria uma atitude feminina e infantil. À primeira vista, isso poderia soar como um tipo superior de homem, se não fosse por outro fator: esses atores da superioridade têm medo de se sujar, ao passo que mentem para si mesmos dizendo que tudo está sob o próprio controle, bastando mudar a conduta, frequentar uma academia, comer saudável, acordar às cinco da manhã, obter uma religião e etc. para que as coisas fiquem bem. Ora, que atitude é mais covarde que, diante de uma guerra real, cruzar os braços e vestir uma couraça pesada, com um aparente ar frio que apenas esconde o medo de -- sentir dor? Quem tem medo da vida não consegue triunfar sobre ela. No máximo, poder-se-á triunfar sobre uma massa de esquisitões de caráter fraco que querem buscar sua figura paterna num homem fingidamente masculino, mas que, no fundo, é um grande fujão. Meu movimento é o contrário: todo aquele que quer buscar a superioridade deve dançar com a vida. 


8. É claro que não podemos prever os resultados de nossas condutas. Seguimos, entretanto, confiando na bússola de nossos corações.    


9. Quando estou na companhia de meus pares, sinto que está tudo bem e as coisas ficarão bem. 


10. Há dois polos na vida humana que ocupamos em diferentes momentos: o polo interno e o polo externo. O primeiro dirige o movimento para nós mesmos; o segundo, para o que está fora de nós. É em nosso polo interno que está nosso ser oculto, repleto de afetos, desejos, valores e egoísmos. Aqueles que mergulham no interno sem precaução podem cair em armadilhas muito perigosas dos pensamentos, além de estarem fadados a pouco progredirem na vida real; as pessoas que, por sua vez, estão polarizadas no externo tendem a uma certa cegueira interior, mas produzem muito mais impacto na realidade; contudo, em regra, pessoas que se movem meramente no exterior e ignoram seu desenvolvimento interno, tendem a se tornar idiotas, máquinas ou parte da grande massa cega. Bem, não há jeito certo de viver, nem um polo é superior a outro, tampouco estão isolados um do outro -- eles sempre dialogam entre si e se movem reciprocamente. Um grande descompasso em minha vida foi tentar me mover internamente sem, paralelamente, me mover no exterior; A verdadeira excelência humana é caminhar tanto com a perna da interioridade quanto com a perna da exterioridade.  


11. Há anos entretenho a ideia de compor ficções, mas não sei quem leria. Que é um autor sem um público? Um cego. Algumas pessoas poderiam até me dar o simples conselho: "escreva para si mesmo"; só que eu próprio sou muito julgador e criterioso, então eu teria que lidar com o pior público de todos: eu mesmo. 


12. Meus escritos são belos porque conseguem espiritualizar tudo o que em mim é pequeno e banal. Com o auxílio de minhas palavras, até o trivial -- se torna glorioso. Sendo assim, que é um poeta senão um mentiroso?


13. Dar ouvidos a um conservador que não constituiu uma família e detesta trabalho é como querer aprender a nadar com alguém que nunca tocou a água. 


14. Corre em nós, brasileiros, o sangue dos navegadores portugueses e dos exploradores bandeirantes. Se esse sangue ainda conversa conosco, então somos os únicos capazes de entender o amor à liberdade. O que é liberdade? É quando a terra firme desaparece e abraçamos o desconhecido. 


15. É necessário ter coragem para ser quem se é de verdade. Há algo em mim que sobreviveu à dureza exterior, mas sua maior conquista foi ter sobrevivido às minhas múltiplas tentativas de assassiná-lo. Tentei afogá-lo no ácido do maquiavelismo e da indiferença; todavia, esse algo continua brilhando como antes: essa criança interior que quer tocar o mundo, senti-lo, abraçá-lo, tê-lo, moldá-lo como argila... o que eu estou fazendo há anos senão construindo um castelo para que essa criança possa nele habitar? Essa é minha única vontade, e todo o resto é um mero apêndice, ou uma representação.


16. A ideologia do "curta-se a si mesmo" está destruindo qualquer possibilidade de alguém atingir a própria natureza um dia.


17. Os heróis da idade do Ouro se lançavam em campos de batalha; os autoproclamados heróis do século XXI, por seu turno, dizem a seus seguidores: pela sua segurança, jamais vá ao campo de batalha -- a chave da indiferença e autodesenvolvimento vulgar.


18. O elemento cristão no Brasil nunca pôde competir com o elemento sexual. Nós, brasileiros, fomos forjados nos chãos revestidos de palha dos colonos europeus, não em camas macias abençoadas por padres. Se o brasileiro comum conseguisse espiritualizar a libido, seríamos um país culturalmente prolífico -- não é o que ocorreu, de fato. O elemento sexual no sangue do brasileiro se tornou uma coroa de espinhos que humilha e rebaixa ao nível de animal quem a usa.


19. Poucos brasileiros são dotados da capacidade de fidelidade. O casamento é a última muleta que restou para manter as coisas no lugar, mas esta instituição está a cada dia se tornando um ídolo mais e mais frágil. 


20. Como? O poder é imoral por natureza ou a moral é antipoder por causa dos fracos? -- primeira questão a se pensar. 


21. Deve-se se apegar à vida ou dela fugir? -- segunda questão a se pensar.


22. As coisas são como são independentemente dos humanos, e assim devemos amá-las, ou tudo o que existe merece ser humanizado por nós? -- terceira questão a se pensar.


23. E, se por um instante, tomarmos consciência do crepúsculo de conceitos que faz cair todos os edifícios à nossa volta, devemos criar novos conceitos, readotar os antigos ou aceitar o concreto? -- quarta questão a se pensar.


24. O ridículo é até os dias de hoje uma das refutações mais incontestáveis na mente humana. Tudo o que é ridículo não merece crédito; tudo o que é verdadeiro é necessariamente sério.  

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Correspondências de Guerra

    O que é autorrealização e plenitude? -- é o momento de unificação de todos os seus instintos em prol de uma missão. 

    Nascemos com uma coleção de instintos contraditórios entre si, que brigam por sua própria prevalência. O indivíduo precisa ter uma meta, e, a partir do esforço para alcançar a meta, o indivíduo acabará por organizar seus instintos de modo que estes atingirão a perfeita harmonia. A fim de cumprir um propósito externo, o sujeito acaba purificando em si seu ouro interno. 


    1. Organizar seus instintos contraditórios é uma tarefa dolorosa, não menos violenta do que quando um conquistador invade um povo selvagem e, através sangue e ferro, constrói uma civilização. Há em nós diversos animais selvagens que pouco fazem questão de ouvir comandos, então apenas à base de sofrimento podemos pô-los em seus devidos lugares. Finalizada a organização, o indivíduo torna-se a imagem solar da unidade e da justiça.


    2. Quem estiver disposto a atingir uma grande meta irá se lapidar no processo e consequentemente sofrerá dor. Mas o Universo, antes um mistério repleto de armadilhas, tornar-se-á seu amigo, e todas as coisas, uma hora ou outra, irão dançar ao seu redor e se curvarem em busca de salvação. A luz solar do indivíduo que busca sua meta irá refletir em tudo o que antes era trevas -- isto é, a matéria desorganizada e sem forma tomará formas que se conformem ao indivíduo. 


    3. Portanto, não se preocupe. Todo obstáculo externo reflete uma desordem interna sua, mas ambos cederão conforme você age em prol do seu ideal.  


    4. Cumpra seu dever. Assim, tornar-se-á o próprio Messias, e as formas externas se desenharão paralelamente a você.     


    5. Aquele que foge do dever está condenado a ser uma forma mutável prostrada diante de uma figura solar maior. 


    6. Dor é fraqueza sendo expulsa da alma.


    7. Todo indivíduo em ascensão passará por degraus, mas nunca conheci um degrau que gostasse de ser pisado e passado para trás. Assim, toda etapa irá fazer o possível para que o indivíduo se detenha nela -- às vezes, o degrau promete que será, enfim, seu tão desejado paraíso, ou lhe ameaçará com a promessa de que o próximo degrau será o inferno. 


    8. Quem quiser liberdade de executar uma ação haverá de perder a liberdade de ter inúmeras escolhas, ou seja, só quem perde sua liberdade pode conseguir a liberdade. 


    9. Não se importe com as formas externas, elas são passageiras e, no fim, irão se ajoelhar diante de você. Elas deixam de existir assim que aparecem no mundo, você não. O ouro e o sol são imutáveis, mas as trevas se transformam desesperadamente.


    10. Cumprindo o seu dever, você se tornará o centro de gravidade da existência, a flor da Vontade de Vida. 


    11. A completa autodestruição e ruína podem ocorrer com quem busca a glória. Não existe equação para a vida, nós nunca sabemos o resultado de nada.  Portanto, seja responsável. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Paz e Luta -- Um ensaio incompleto

    Este será um texto bem objetivo. Eu poderia enchê-lo de diversos detalhes, mas a questão é séria o suficiente, não se fazendo necessários floreios ou demonstrações de alta cultura por parte do autor. Com este ensaio, estou entregando à humanidade um instrumento de análise cultural e psicológica, bem como filosofia prática. 

    Aliás, como toda filosofia verdadeira, nada dito aqui é absoluto. Eu não estou inventando dogmas, estou dançando com a realidade. Quem não é capaz de dançar também jamais deveria aceitar algo que eu digo. Caso você seja medíocre, vá atrás de Jesus Cristo e não encha meu saco nem queira ser como eu. 

    E por que este ensaio é incompleto? Primeiramente, porque eu não sou um deus. Ainda sou um jovem em idade universitária. Em segundo lugar, isto é filosofia viva, e tudo o que respira está condenado a se transformar. O que é completo não muda e atinge a eternidade. 

    Diferentemente de outros textos meus, não há armadilhas neste ensaio, não há verdades ocultas. Está manifesto, tudo está manifesto! Tudo o que havia de ser dito foi efetivamente dito. 

    Espero que este ensaio seja a base para outras teorias no futuro. Uma vez escrito, um texto deve voar para dançar com outros sujeitos e sofrer evoluções. 

Glossário

    Paz = consciência = identificação com o Ser = superação da mente = morte do ego = mundo desencantado e sem valores = desapego da forma.

    Por sua vez, luta = mente e corpo = manifestação da identificação com o ego = subordinação aos valores criados pela mente = afirmação do ego = mundo encantado e repleto de valores = apego da forma.

    Recorra a este glossário caso o texto fique obscuro em algumas partes. Eu raciocinei de modo simbólico e dialético para compor o texto, então é natural que a linguagem fique confusa e ambígua.

    Aqueles que de algum modo conhecem Platão, Eckhart Tolle,  Bhagavad Gita, Cristianismo, Dostoiévski, Nietzsche, Schopenhauer e artes trágicas conseguirão aproveitar mais deste texto. Aqueles que me conhecem conseguirão aproveitar melhor ainda -- mas não será este o caso de 99,9% de meus futuros leitores.

    Contudo, a maior influência para este texto foram os trabalhos de Nessahan Alita -- não pelo seu conteúdo, que pouco interessa para esta discussão, mas pela sua forma.

Qual é a única pergunta séria que se deve fazer diante da vida? 

    Eu lhes digo: deve-se escolher a paz ou a luta?


Da paz e luta. 


    Até hoje, todas as instituições e práticas humanas contiveram em si a tensão entre a paz e a luta. 

    A paz, a seu modo, está associada a estados de consciência. A luta está associada a estados inferiores à consciência, ou seja, está atrelada ao corpo e à mente, na forma de pensamentos e emoções. É importante notar que o amor à luta é uma das formas de apego à mente, que não esgota suas variedades apenas neste caso específico. 

    O amor à paz leva o sujeito a uma visão desencantada do mundo, o mundo como ele é, sem mistificações e formas. As formas, passageiras por sua natureza, cedem à luz da consciência e se desmancham no ar. Desse modo, as flutuações do corpo e da mente não mais afetam o sujeito, pois este se identifica com a consciência observadora, que se põe acima da dor e da alegria, do sucesso e do fracasso, da felicidade e tristeza. Desapega-se dos resultados, vive-se sem mais surpresas com uma alma plácida e inabalável. Diante de todas as contingências, o sujeito consciente se mantém irreativo, respondendo às provocações do mundo com um simples "é mesmo?"

    Por outro lado, o amor à luta é a suprema afirmação de um mundo encantado, emprestando às formas passageiras o sopro de vida da Realidade. A maior consequência do amor à luta é a criação de valores, isto é, formas aplicadas à matéria. Separa-se o bom do ruim, o superior do inferior e o melhor do pior. Assim, o sujeito vê-se numa corda fina, prestes a ceder, entre o paraíso e o inferno, entre a glória e a infâmia, entre a alegria suprema e a dor suprema, entre a felicidade e a tristeza, entre o Sim à vida e o suicídio. Apega-se aos resultados, cada fracasso é sentido no fundo da alma, cada sucesso é comemorado com toda a pompa do mundo. Diante das contingências, o sujeito preso à mente na forma de sujeito de luta está suscetível a toda forma de sensações possíveis.


    O sujeito de luta, diante do fracasso, só pode ter três posturas:

    - tornar-se um sujeito de consciência, abandonando as dores da vida.

    - niilismo derrotista

    - voltar à luta

    Já, diante do sucesso, o sujeito de luta pode ter duas posturas:

    - tornar-se um sujeito de consciência, abandonando os prazeres, que são efêmeros por natureza

    - tédio inevitável após o sucesso, que logo exige do sujeito uma nova luta


    Nota-se, portanto, que o sujeito de luta está preso numa roda -- o verdadeiro eterno-retorno; já o sujeito de consciência se liberta do ciclo -- a verdadeira superação do karma pela iluminação.


Como tais posturas se manifestaram na cultura?


    Das mais diversas maneiras. O símbolo do monge corresponde ao sujeito de consciência, e o símbolo do guerreiro corresponde ao sujeito de luta. As religiões, como o hinduísmo, e algumas correntes esotéricas do islamismo e cristianismo, se devotaram à afirmação da consciência diante do mundo. Já o cristianismo de massas está muito mais próximo do niilismo derrotista, que é o cansaço da vida. A volta à luta se manifestou em determinados movimentos políticos do século XX, como o nazismo e o fascismo. O tédio inevitável após o sucesso é mais próximo de homens superiores e vitoriosos, como Napoleão, que nunca se cansaram de querer expandir-se. Nota-se que o melhor caminho para o sujeito de luta é ser um desses indivíduos superiores, que, embora conheçam das dores, conseguem atingir a autorrealização. Todo sujeito de luta quer ser um desses superiores. 


Qual das duas posturas escolher?


    Primeiramente, poucas pessoas têm realmente o privilégio de escolher. A grande maioria das pessoas, sujeitas à mente, não enxergam sequer a possiblidade de tornarem-se sujeitos de consciência, mas pouco entendem do espírito de luta, então não passam de uma grande massa cinza sem direção. Agora que você sabe, procure refletir em todos os eventos da sua vida, externos ou internos ao seu ser, onde se escondiam esses temas de consciência e luta. Eu não posso fazer isso por ninguém, estou limitado a dar alguns poucos exemplos que não completam 1% da realidade.

    Quanto à pergunta sobre qual das duas escolher, não sei a resposta. Você é o único responsável pela resposta. Aceite a liberdade, mas saiba que toda liberdade está vinculada a uma responsabilidade tão grande quanto. 


    Fomos condenados a ser livres, e liberdade é viver fazendo escolhas o tempo todo.  

    No fim, estamos todos marchando para o Nada.

É possível conciliar ambas as posturas?

    Não cheguei a uma conclusão clara. É possível, sim, trocar de posturas diversas vezes, mas não encontrei um elemento comum entre ambas. O que me parece mais próximo disso é o amor ao dever, ignorando os resultados provenientes da ação -- a ação como um fim em si.