Este será um texto bem objetivo. Eu poderia enchê-lo de diversos detalhes, mas a questão é séria o suficiente, não se fazendo necessários floreios ou demonstrações de alta cultura por parte do autor. Com este ensaio, estou entregando à humanidade um instrumento de análise cultural e psicológica, bem como filosofia prática.
Aliás, como toda filosofia verdadeira, nada dito aqui é absoluto. Eu não estou inventando dogmas, estou dançando com a realidade. Quem não é capaz de dançar também jamais deveria aceitar algo que eu digo. Caso você seja medíocre, vá atrás de Jesus Cristo e não encha meu saco nem queira ser como eu.
E por que este ensaio é incompleto? Primeiramente, porque eu não sou um deus. Ainda sou um jovem em idade universitária. Em segundo lugar, isto é filosofia viva, e tudo o que respira está condenado a se transformar. O que é completo não muda e atinge a eternidade.
Diferentemente de outros textos meus, não há armadilhas neste ensaio, não há verdades ocultas. Está manifesto, tudo está manifesto! Tudo o que havia de ser dito foi efetivamente dito.
Espero que este ensaio seja a base para outras teorias no futuro. Uma vez escrito, um texto deve voar para dançar com outros sujeitos e sofrer evoluções.
Glossário
Paz = consciência = identificação com o Ser = superação da mente = morte do ego = mundo desencantado e sem valores = desapego da forma.
Por sua vez, luta = mente e corpo = manifestação da identificação com o ego = subordinação aos valores criados pela mente = afirmação do ego = mundo encantado e repleto de valores = apego da forma.
Recorra a este glossário caso o texto fique obscuro em algumas partes. Eu raciocinei de modo simbólico e dialético para compor o texto, então é natural que a linguagem fique confusa e ambígua.
Aqueles que de algum modo conhecem Platão, Eckhart Tolle, Bhagavad Gita, Cristianismo, Dostoiévski, Nietzsche, Schopenhauer e artes trágicas conseguirão aproveitar mais deste texto. Aqueles que me conhecem conseguirão aproveitar melhor ainda -- mas não será este o caso de 99,9% de meus futuros leitores.
Contudo, a maior influência para este texto foram os trabalhos de Nessahan Alita -- não pelo seu conteúdo, que pouco interessa para esta discussão, mas pela sua forma.
Qual é a única pergunta séria que se deve fazer diante da vida?
Eu lhes digo: deve-se escolher a paz ou a luta?
Da paz e luta.
Até hoje, todas as instituições e práticas humanas contiveram em si a tensão entre a paz e a luta.
A paz, a seu modo, está associada a estados de consciência. A luta está associada a estados inferiores à consciência, ou seja, está atrelada ao corpo e à mente, na forma de pensamentos e emoções. É importante notar que o amor à luta é uma das formas de apego à mente, que não esgota suas variedades apenas neste caso específico.
O amor à paz leva o sujeito a uma visão desencantada do mundo, o mundo como ele é, sem mistificações e formas. As formas, passageiras por sua natureza, cedem à luz da consciência e se desmancham no ar. Desse modo, as flutuações do corpo e da mente não mais afetam o sujeito, pois este se identifica com a consciência observadora, que se põe acima da dor e da alegria, do sucesso e do fracasso, da felicidade e tristeza. Desapega-se dos resultados, vive-se sem mais surpresas com uma alma plácida e inabalável. Diante de todas as contingências, o sujeito consciente se mantém irreativo, respondendo às provocações do mundo com um simples "é mesmo?"
Por outro lado, o amor à luta é a suprema afirmação de um mundo encantado, emprestando às formas passageiras o sopro de vida da Realidade. A maior consequência do amor à luta é a criação de valores, isto é, formas aplicadas à matéria. Separa-se o bom do ruim, o superior do inferior e o melhor do pior. Assim, o sujeito vê-se numa corda fina, prestes a ceder, entre o paraíso e o inferno, entre a glória e a infâmia, entre a alegria suprema e a dor suprema, entre a felicidade e a tristeza, entre o Sim à vida e o suicídio. Apega-se aos resultados, cada fracasso é sentido no fundo da alma, cada sucesso é comemorado com toda a pompa do mundo. Diante das contingências, o sujeito preso à mente na forma de sujeito de luta está suscetível a toda forma de sensações possíveis.
O sujeito de luta, diante do fracasso, só pode ter três posturas:
- tornar-se um sujeito de consciência, abandonando as dores da vida.
- niilismo derrotista
- voltar à luta
Já, diante do sucesso, o sujeito de luta pode ter duas posturas:
- tornar-se um sujeito de consciência, abandonando os prazeres, que são efêmeros por natureza
- tédio inevitável após o sucesso, que logo exige do sujeito uma nova luta
Nota-se, portanto, que o sujeito de luta está preso numa roda -- o verdadeiro eterno-retorno; já o sujeito de consciência se liberta do ciclo -- a verdadeira superação do karma pela iluminação.
Como tais posturas se manifestaram na cultura?
Das mais diversas maneiras. O símbolo do monge corresponde ao sujeito de consciência, e o símbolo do guerreiro corresponde ao sujeito de luta. As religiões, como o hinduísmo, e algumas correntes esotéricas do islamismo e cristianismo, se devotaram à afirmação da consciência diante do mundo. Já o cristianismo de massas está muito mais próximo do niilismo derrotista, que é o cansaço da vida. A volta à luta se manifestou em determinados movimentos políticos do século XX, como o nazismo e o fascismo. O tédio inevitável após o sucesso é mais próximo de homens superiores e vitoriosos, como Napoleão, que nunca se cansaram de querer expandir-se. Nota-se que o melhor caminho para o sujeito de luta é ser um desses indivíduos superiores, que, embora conheçam das dores, conseguem atingir a autorrealização. Todo sujeito de luta quer ser um desses superiores.
Qual das duas posturas escolher?
Primeiramente, poucas pessoas têm realmente o privilégio de escolher. A grande maioria das pessoas, sujeitas à mente, não enxergam sequer a possiblidade de tornarem-se sujeitos de consciência, mas pouco entendem do espírito de luta, então não passam de uma grande massa cinza sem direção. Agora que você sabe, procure refletir em todos os eventos da sua vida, externos ou internos ao seu ser, onde se escondiam esses temas de consciência e luta. Eu não posso fazer isso por ninguém, estou limitado a dar alguns poucos exemplos que não completam 1% da realidade.
Quanto à pergunta sobre qual das duas escolher, não sei a resposta. Você é o único responsável pela resposta. Aceite a liberdade, mas saiba que toda liberdade está vinculada a uma responsabilidade tão grande quanto.
Fomos condenados a ser livres, e liberdade é viver fazendo escolhas o tempo todo.
No fim, estamos todos marchando para o Nada.
É possível conciliar ambas as posturas?
Não cheguei a uma conclusão clara. É possível, sim, trocar de posturas diversas vezes, mas não encontrei um elemento comum entre ambas. O que me parece mais próximo disso é o amor ao dever, ignorando os resultados provenientes da ação -- a ação como um fim em si.
Nenhum comentário:
Postar um comentário