quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Eros II


Poema da Crueldade Trágica do Despedaçamento no Amor


Não posso olhar para rostos que prometem um sorriso

Sem que meus olhos ensaiem lágrimas.

Porque eu quero ter, quero possuir,

E quem engana não possui.

Quero que minha profundidade

Seja sua lembrança na minha ausência.

Quero chorar em seu colo,

Mostrar meu inferno,

Libertar os demônios do meu caos.


Minha melancolia é vontade de possuir.

Saiba que meus heróis morreram loucos

Ou amarrados numa corda,

Solitários,

Sem que houvesse quem os escutasse

Por que alguém me escutaria?

Saiba que meu mundo não é pequeno

E que não sou melhor que um criminoso,

Embora não seja digno de um crime.


A meus demônios, dei lógica, matemática

Química, física, gramática.

E eles têm vontade de liberdade.

Libertarem-se e invadi-la,

Para que seu amor seja um lamento,

Para que você seja devorada,

Para que eu a estilhace,

Para que você vista um véu negro em memória de mim,

Para que eu seja imortal na morte,

Para que eu viva em você.

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