Aproveitando o brainstorm que tive para fazer a publicação anterior, venho hoje trazer alguns comentários sobre outro disco que tenho bastante apreço, The Empyrean (2009) do John Frusciante. Bom, inicialmente já posso dizer que o título não poderia ser outro, "Empyrean" quer dizer empírico, algo divino/provido dos deuses, ouvindo-o podemos confirmar isso.
Começando com "Before The Beginning", 9 minutos já de emoção, onde a guitarra se torna a protagonista e é como se seu som passeava pela nossa corrente sanguínea até chegar em nosso cérebro e acontecer uma explosão de conforto, a mim chega até encher os olhos d'água, realmente muito bonita, a faixa foi inspirada em "Maggot Brain" Do Funkadelic. Falando agora de "Song To The Siren", essa que me fez pensar que o álbum teria uma linha meio "gospel" e isso antes de saber o significado do título, para ver como o disco soa coeso, espiritual e meio divino, é um cover de Tim Buckley. Nada de muita guitarra, sem bateria, apenas um instrumental livre e sereno que acompanha os vocais de John que conversam com alma do ouvinte. Logo após, voltamos aos instrumentos com "Unreachable" essa que provavelmente é uma das mais conhecidas do disco, a letra fala sobre as diferenças de propósito entre nós humanos, nossa ignorância e reverter tudo isso através do auto-conhecimento através da vida e natureza, interpreto também como um possível conselho de quem já tentou varias vezes mostrar um caminho aos demais, mas se cansou por não ser ouvido, como mostra ao final da letra. "God" fala sobre a perspectiva de deus se comunicando conosco, suas criações, como nós insultamos seu nome por várias vezes e como sempre ele ainda continua nos amando e tentando consertas muitas de nossas cagadas. "Dark/Light" volta ao ponto de vista humano falando dessa vez de sua relação com deus, no começo "Dark" sobre as frustrações de viver por ele e talvez se ver perdido em seus propósitos, por não ser de certa forma retribuído, na segunda parte "Light" é como se o indivíduo já tivesse tido um encontro com sua divindade e se questiona se uma hora ela irá mostrar um pouco de sua sabedoria universal e assim livrar todos os outros de passarem pela confusão que esse determinado sujeito humano passou na primeira parte "Dark".
Quase me esqueço de falar sobre mais uma das varias transições de instrumentais que acontecem no álbum, inclusive nessa faixa, logo quando entra "light" começa uma batida mais funk, que também me lembra muito rap, junto de um coro, unido majestosamente a linha de baixo de Flea. "Heaven" interpreto um pouco como solidão provida do conhecimento, que de algum jeito nos diferencia de quem estamos por perto, mesmo sem saber o que mede nosso valor real, a mediocridade o qual nos deixamos levar sabendo que podemos ser mais ainda orbita em nós com toda a oportunidade de subverter. "Enough Of Me" fala em como somos parte de tudo em que nos rodeia, tudo é fluido e tem seu propósito, ao final da letra uma volta da guitarra brilhando fortemente junto da bateria, dando ênfase aos altos e baixos propositalmente colocados no disco, dito por Frusciante, representam a constante tentativa de nos erguemos e sermos além da média na vida. "Central" mostra que mesmo o eu-lírico tendo a experiência de fora dos limites das bordas, de toda a existência, ele continua sendo pequeno, e mesmo assim continua sendo grato aos deuses, novamente nos aconselhando a trocar o inferior pelo superior, até a infinidade. "One More Of Me" possui uma letra fantástica que sintetiza boa parte do que o disco nos conta, fala sobre o dia de realmente estar no nível de cima, o lugar empírico, e que realmente existe uma força além de nós que brinca conosco, sobre a experiência única de cada dia estar vivo, a maneira de interpretar o mundo como apenas sinais elétricos que nosso cérebro entende como real, uma breve referência ao filme "Matrix", tudo que nos chamamos de "amor" é um presente do estado que chamamos de Empírico. Existem apenas duas forças, amor e ódio, uma destrói e outra constrói.
"After The Ending" conclui o disco com uma pequena esperança de ser alguém que vai representar a mudança, mesmo o mundo caminhando para enfermidades, o entendimento do fim caminha com as palavras, apenas o nada não pode ser interpretado pois ele nunca se tornou alguma coisa de fato, tudo é eterno, o que é sempre foi e sempre será. Pode parecer confuso, mas a confusão e dúvida são belos convites ao pensar, pois então está ai. Deixei um pouco os instrumentos de lado pois acho que o verdadeiro ponto forte dessa obra são suas letras, que além de bem interpretadas devem ser exemplos de como se portar no mundo, de certa forma. Musicalmente John queria que nada soasse muito regular, como uma linha reta, trabalhando a mixagem não convencional, ele diz que queria um disco em que pudesse ouvir tarde da noite no máximo em seu estéreo e que ao mesmo tempo o desse a sensação de estar viajando em cada faixa, podemos ver que brilhantemente o objetivo foi alcançado, porém isso nunca deve ser motivo para se acomodar. Ouça sem moderação, gratidão!
Nenhum comentário:
Postar um comentário