quarta-feira, 8 de novembro de 2023

À Igreja, Aos Fiéis — Com Amor, Nero

  
    Este escrito é inflamado e intenso, além de altamente ofensivo. Está enganado quem acha que se trata da cólera de um ateu vingativo. Não só expor como também insultar — mais do que criticar — é meu objetivo aqui. O diabo que carregue a etiqueta, a cordialidade e os dedinhos finos no momento de se comunicar algo! A estilística afiada se faz necessária. Hoje me faço serpente para destilar meu veneno e oferecer uma mordida na maçã do esclarecimento a meus leitores. Rompam-se os véus, rompa-se a neblina em seus olhos. Sou lux e iluminarei. 




    Cresci em meio às ovelhas. Ensinaram-me a desprezar a vida atual em nome da vida eterna. Desde cedo, empurraram o niilismo e a decadência em mim. Recordo-me de intervir aos seis ou sete anos quando vi uma das ovelhas fazendo algo autodestrutivo e dela recebi como resposta: — "Que me importa se isso vai me matar? Bom que assim vou para a glória!"

    Isso me provocou um enorme conflito: era perfeitamente racional e lógico destruir a própria vida, pois havia algo melhor e eterno no além, todavia meu peito se angustiava no pensamento de apagar-se. Como resolver essa tensão? Optei, muito contrariado, pelo ídolo da razão e verdade. Decidi, portanto, que destruir-se era aceitável. 

    Ah, se antes eu soubesse que a razão não está além do próprio corpo: antes, é instrumento da vontade! Teria notado então que a ovelha estava o tempo todo expressando sua decadência, sua pulsão de morte, seu ódio contra si — temo que nem ela soubesse disso, entretanto — e que sua racionalidade era a materialização desse impulso suicida, não algo que o decidiu. 

    Mal sabia eu, mas aquela lição de morte era a base para um projeto maior — não sabem do que se trata? As ovelhas queriam que eu me tornasse um pastor evangélico. Vejam bem, leitores, primeiro me transmitiram a pulsão de morte, então quiseram que eu a propagasse para outras milhares formas de vida. Os odiadores de si não se contentam com o próprio fim, antes necessitam extinguir toda vida! Eles são um atentado não somente contra si, mas também contra o conceito da vida.

    Junto às ovelhas, frequentei o antro de doutrinas de morte — i.e, igreja — para que me santificasse e andasse no caminho do meu próprio fim — e do fim dos outros — e assim passei aproximadamente uma década. Tomo a liberdade de citar algumas máximas que aprendi entre as ovelhas e na igreja:

Máximas de Morte

    1. Eu, um pastor ex-traficante que usava entorpecentes, lhe digo que você deve abdicar sua juventude e dedicá-la à santidade.

    2. Desde a tenra idade, pegue o dinheiro que lhe dão e separe ofertas e dízimos. 

    3. Não pode xingar não, *****.

    4. Pensamentos libidinosos jamais!

    5. Cordeirinhos, vocês querem alçar ao paraíso e não desejam falecer? Quanta hipocrisia! Vocês devem ansiar pela morte. 

    6. E, quando morrerem, doem seu patrimônio para a igreja. 

    7. A cada domingo ocorre um novo dia de pentecostes. Para ser preenchido nele, deverá ficar meses a fio, como um fanático, desejando-o 24 horas por dia.

    8. Não negue o chamado, não faça faculdade e vire um pastor! 

    9. Relacionamentos só dentro da igreja, casamentos apenas se o pastor permitir. 

    10. Pare de ouvir músicas que não são da igreja.

    11. Seus desvios de comportamento demonstram que você está cheio de demônios!

    12. Seja uma leve doença, seja um medo, seja uma angústia ou qualquer coisa negativa, é tudo obra do satanás na sua mente! Você é uma mera criança, mas já carrega o inferno inteiro em sua cabeça.

    13. Agora você tem doze anos e deve oficializar seu compromisso com os caminhos eclesiásticos. Tome já uma decisão de fato e sele-a através de um batismo nas águas — se não fizer isso, irá sofrer sanções morais... sua consciência pesará e nossa mão também!

    14. Agora que você carrega a cruz, o ódio de si e o inferno em sua mochila, oficializados sob o selo do batismo, você vai entrar numa espiral de autoculpa, fanatismo e angústia extrema por meses a fio. Seja bem-vindo à depressão! — você desejará a morte a tal ponto que irá acordar chorando e dormirá feliz por finalmente ter um pouco de sossego na mente.

    15. Você está levando todas as verdades que colocamos em sua cabeça a um ponto que nem nós conseguimos aguentar. Tal fardo, tal cruz são pesados até para nós. Ei-la, a grande surpresa: te abandonaremos nessa ***** dessa solidão, esteja largado em meio ao seu autoflagelo. 

    16. Isso tudo só pode ser obra do demônio!

Non Draco Sit Mihi Dux

    Derramou-se meu sangue sobre o altar do mundo. Ah, Abel, quem dera percebessem quão semelhantes nós somos! Equilibrei sobre meus ombros o fardo do rei dos demônios — a culpa. Mas já não é hora de lamentar. Não merecem minhas lágrimas ou minha justa correção. Meu espírito se incendeia para que a justiça seja feita. Ó grande dragão, cujas escamas cintilam os valores inferiores, eu aceitara seu nome como parte de mim, porém já o nego. Tornei-me animal de campo e exulto se vejo vida na matéria, abençoo o "perverso" e amaldiçoo o "justo". Que no futuro não reste pedra sobre pedra em seu covil!


 AVISO: Leitor, o texto fica bem mais intenso, obsceno e violento a partir daqui. Se já não economizei a cólera nem me preocupei com meu bom estilo durante o texto inteiro, agora fica bem pior. Deixo claro também que nem eu vou reler nada disto, pois é algo tão emocionalmente carregado que me incomoda. Caso seja uma pessoa sensível, sugiro fortemente que abandone a leitura aqui. 

Abs,

Saint Nero.


Pisoteadas nas Ovelhas e no Antro


    1. A linha genealógica de vocês, até este exato momento, foi constituída de ratos que se multiplicavam em direção ao abismo. Sem nome, sem propósito maior, geraram escravos e servos. Vocês são a própria casta baixa.

    2. O princípio gerador de vocês? — a fraqueza. Vocês são remendos de primatas com CPF e acham que isso lhes confere o direito de se chamarem humanos ou beijarem meus pés.

    3. Toda a existência de vocês é preguiça, o eterno levar com a barriga. São incapazes de sentar o cu na cadeira e estudarem alguma coisa. Nem mesmo conseguem cuidar de si e da própria aparência física. São todos burros, feios e analfabetos. 

    4. Mais feios que vocês só seus pares românticos. Puta que pariu. Cabeça de macaco do caralho, barriga de sebo do cacete. Pior ainda serão os filho que vão gerar. VAI TOMAR NO CU! 

    5. Seus filhos são o retrato do seu fracasso, eles vão prosseguir suas missões de transarem como ratos para gerar escravinhos. Avô frentista, pai gari e filho caixa de supermercado!

    6. Tá liberado enfiar o dedo no cu do pai, chupar a buceta da vó e o caralho que for. Estou pouco me fodendo para a integridade de vocês, ratos do cacete.

    7. Quer me dizer que um analfabeto que não sabe latim nem grego (muito menos português) vai subir no altar e pregar a Bíblia? O que vocês chamam de pastor não passa de um burrinho com uma oratória adquirida de outro pastor anencéfalo. Coloquem um animal desses para debater qualquer tema comigo — ou mesmo para ver quem come melhor a esposa dele, quem tem a piroca maior — e eu mesmo ensino a Bíblia para ele. Não fode.

    8. O público-alvo dessa igreja? — ora, a classe média. Quem eles realmente atingiram? — uma pobretada ralé do caralho, todos velhos decrépitos ou com algum desvio físico grave. 

     9. Basta alguém que perceba que sua vida é uma miséria desperdiçada por si mesmo para que novo fiel bata às portas!

    10. Se vocês tivessem a mesma cabeça e a mesma piroca que eu possuo, não teriam motivos para serem o que são. Como ambas as coisas são reduzidas em vocês, sobra ficar nesse teatrinho de congregar. 

    11. O pior castigo para suas vidas tristes é a possibilidade de ficarem sozinhos consigo mesmos. O fedor é tanto que não suportam a própria mente.

    12. Não é a justiça do fim dos tempos, mas a minha que vai recair sobre esse lamaçal. 

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