sábado, 16 de março de 2024

Meio-dia e eternidade



Introdução e Interlúdio


Esta é a hora do grande meio-dia,

o passado e o futuro fazem aliança,

os ídolos ocos são derrubados

e a moral é alvejada


As grandes potestades se assentam

Eu sou vários e todos os príncipes tenho

Eu já aconteci e acontecerei de novo

pois não há passado sem futuro anterior


Meus príncipes arrastam estátuas,

e meu vento revive todos os mortos

e mata todos os sem-vida


Um leão ruge: não quero, não devo

Todos os lagartos se espantam,

e agora o deserto é somente do leão


Meu vento liberta todos os cativos

Todas as correntes são estouradas

Todo o meu veneno se tornou mel


Meio-dia: O Dia do Leão


Ó meio-dia

Perdoa meu verso

Minha falta de metro


Ó meu dia

Dia do leão

Ouve minha canção


Ó vida

És tu? 

Mais uma vez, portanto!


Ó vida

És minha esperança

Por ti espero, mas tanto!..

... em forma de aliança


Como o homem abandonou seu povo e matou um dragão


Por escuras cavernas andei

Em busca de mim,

Meu povo abandonei

Quem achei por fim?


A ti achei, dragão

Em verdade, pairaste sobre meu povo

E tua sombra sempre vi

Agora te vejo de novo


Olha! Vê o que trago em minha cinta

Olha! Vê se não é uma lâmina

Olha! Vê se não é tua morte 

Olha! Olha bem para teu assassino


A ti achei, dragão

Tu que cintilas ídolos em tuas escamas

Tu que tornas o mel em veneno

Tu que puseste meu povo de joelhos


Olha! Olha bem para teu assassino

Não me confundas com um vingador

Não trago vingança, senão amor

A quem? À vida é meu amor!


O crime sem castigo


Ó meio-dia

Que sacrifício diabólico eu fiz!

Deixei um cadáver na caverna

Que sacrifício cainita eu fiz!


Mas não há mais tempo

Em meu louvor não há lamento

Apenas rugidos

Pois não devo, não quero


Porque Deus morreu,

É hora de o super-homem viver. 

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