Introdução e Interlúdio
Esta é a hora do grande meio-dia,
o passado e o futuro fazem aliança,
os ídolos ocos são derrubados
e a moral é alvejada
As grandes potestades se assentam
Eu sou vários e todos os príncipes tenho
Eu já aconteci e acontecerei de novo
pois não há passado sem futuro anterior
Meus príncipes arrastam estátuas,
e meu vento revive todos os mortos
e mata todos os sem-vida
Um leão ruge: não quero, não devo
Todos os lagartos se espantam,
e agora o deserto é somente do leão
Meu vento liberta todos os cativos
Todas as correntes são estouradas
Todo o meu veneno se tornou mel
Meio-dia: O Dia do Leão
Ó meio-dia
Perdoa meu verso
Minha falta de metro
Ó meu dia
Dia do leão
Ouve minha canção
Ó vida
És tu?
Mais uma vez, portanto!
Ó vida
És minha esperança
Por ti espero, mas tanto!..
... em forma de aliança
Como o homem abandonou seu povo e matou um dragão
Por escuras cavernas andei
Em busca de mim,
Meu povo abandonei
Quem achei por fim?
A ti achei, dragão
Em verdade, pairaste sobre meu povo
E tua sombra sempre vi
Agora te vejo de novo
Olha! Vê o que trago em minha cinta
Olha! Vê se não é uma lâmina
Olha! Vê se não é tua morte
Olha! Olha bem para teu assassino
A ti achei, dragão
Tu que cintilas ídolos em tuas escamas
Tu que tornas o mel em veneno
Tu que puseste meu povo de joelhos
Olha! Olha bem para teu assassino
Não me confundas com um vingador
Não trago vingança, senão amor
A quem? À vida é meu amor!
O crime sem castigo
Ó meio-dia
Que sacrifício diabólico eu fiz!
Deixei um cadáver na caverna
Que sacrifício cainita eu fiz!
Mas não há mais tempo
Em meu louvor não há lamento
Apenas rugidos
Pois não devo, não quero
Porque Deus morreu,
É hora de o super-homem viver.

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