sexta-feira, 28 de outubro de 2022

O Arquétipo do Fantasma

  Saudações, leitores deste blog. Antes do texto começar, gostaria de esclarecer algumas coisas: este que vos fala é Saint Nero, amigo próximo do meu caro Morangotango, dono do blog. Não necessariamente ele concorda com o que eu escrevi aqui, porém me deu a oportunidade de falar com vocês. Espero que gostem, fiquem com o texto.        


                            O Arquétipo do Fantasma (1)

Antes de tudo, o Homem Fantasma é introspectivo, solitário, individualista, duvida de tudo, despreza autoridades, homem de si mesmo,  melancólico, angustiado, conhece sua pequenez e sua finitude. 

O Homem Fantasma é introspectivo por essência, provavelmente era um ser humano comum que acabou sendo apartado da aceitação social durante seus anos iniciais de vida, e assim cresceu podendo contar somente com suas viagens mentais para se entreter enquanto as outras crianças viviam as atividades físicas. Tendo exercitado fortemente sua consciência por esforço repetitivo e estando quase que totalmente sozinho durante toda sua vida, suas inocentes fantasias agora se tornaram palco de um campo de guerra filosófico em sua mente. Ele não tem mais certezas, já questionou tanto o mundo sem respostas que sequer acha que possam existir. Não lhe existe mais onde procurar pela moral, amor como conexão integral com o outro, normas de conduta e jeitos certos de se pensar: As tábuas dos Dez Mandamentos já não são tão absolutas quanto a sociedade queria que ele pensasse que fossem; Foram embora os ensinamentos que ele tivera ainda na sua infância, dentre eles os ditos pelos pais, professores, desenhos e outras mídias; Seu superego é diferente dos demais, já não é tão eficaz nele quanto é nos outros. No fim, sobrou sua consciência, seus desejos e suas numerosas perguntas, porém ao menos pode guiar suas ações a partir da sua vontade, sendo esta a ÚNICA referência de conduta e moral que ele julga como verdadeira.

É válido ressaltar que O Fantasma, mesmo tendo plena certeza de seu livre-arbítrio e consciência e dissolvendo os ensinamentos da vida em sociedade, não é o puro suco da potência, vigor, ego inflado, vilania e arrogância. Pelo contrário. é justamente por ele não ter muletas externas onde se apoiar que ele se sente angustiado, impotente e patético. Ele não enxerga sentido em ser mal apenas por ser mal, muitas vezes pode ser uma pessoa indulgente e caridosa, porém sabe que a diferença entre ele se portar de maneira maldosa ou bondosa está na vontade dele no dia. Também não é ingênuo, pois mesmo não acatando o determinismo, sabe que suas vontades foram influenciadas por variáveis que ele não pudera controlar, como família, Igreja e escola.

O Fantasma repudia toda e qualquer teoria que tenta ser determinista, explicar o homem totalmente e suas futuras ações. O primeiro jamais aceitaria ser somente uma nota que numa grande sinfonia sem ao menos saber que é uma nota. Ele ama a liberdade e fetichiza sua autoconsciência, pois é a única coisa que o próprio tem de fato. Nesse embalo, qualquer doutrina autoritária e ditatorial que tente subjugá-lo é profundamente odiada e atacada por ele, mais especialmente as ideias dos novos-esquerdistas que vêm se manifestando na atual sociedade.

Os novo-esquerdistas representam para o Fantasma tudo o que é diametralmente oposto a ele: jovens histéricos que, cheios de certezas infundadas, se julgam detentores de uma moral absoluta e superior, altruístas, pessoas de boa índole. Mas que, na real, são hipócritas, egoístas, teatrais, autoritários e imbecis. Cada "Dê mais direitos à essa minoria em detrimento de outro grupo privilegiado!" lhe é interpretado como: "Eu fui uma criança fraca, com uma crônica falta de confiança que perdura até hoje, portanto eu projeto numa grande peça mental um mundo de bem contra mal, onde os maus são opressores e eu faço parte dos bons que lutam pelos mais fracos, porque eu também me enxergo como um desses mais fracos".

Brevemente, destaca-se também os religiosos fanáticos que proclamam-se como filhos de uma vontade superior, na qual eles estão em consonância e harmonia, portanto sabem o que é bom para todo o mundo, mas são imediatamente raposas sádicas prontas para se deliciarem na miséria de outros humanos. O olhar arrogante desses religiosos, como se o resto do mundo fosse cego e precisasse deles, causa enorme repulsa no Homem Fantasma.

Prosseguindo, é importante notar que a sociedade injeta sonhos nas pessoas: você deve achar o amor da sua vida, o emprego que vai te realizar, ser viril, indulgente e etc... O Homem Fantasma cresceu com esses valores sendo impressos nas metas dele, porém ele enfim acaba por ver a fragilidade, pretensão e falsidade delas quando mergulha em sua mente. É aí onde seu lado ingênuo aprendido na infância (que perdura em pessoas comuns na vida adulta) conflita com seu subsolo introspectivo: O primeiro pede pela realização dessas metas, o segundo diz "Não! Impossível", e então o primeiro retruca "És um fraco, débil e insuficiente!". Ao olhar para os lados e ver as pessoas pretendendo estarem felizes em relacionamentos, num excelente trabalho e numa vida perfeita, mesmo sabendo que aquilo é muita fantasia, sua face pueril vem com inveja pedindo para que ele faça e seja o mesmo. É daí que vem sua melancolia sem fim, pois imediatamente seu subterrâneo o relembra que está sozinho, é pequeno e nada tem um propósito maior.

Seu desprezo por autoridades advém do fato de ele próprio não conhecer as respostas para as grandes perguntas, portanto conjectura que nenhum outro sabe e acaba por achar patético e falso a maioria daqueles que pretendem ser portadores de uma grande verdade absoluta. Às vezes, deixando sua conjectura de lado, assume o risco de alguém realmente ser o detentor de uma verdade que ele abominaria que fosse real, então pode agir com inveja e desdenhar daquela pessoa somente para não aceitar uma resposta que o desagrada.

Bem, neste ponto estou cansado de escrever. Deixo para outra oportunidade para discorrer mais sobre esse arquétipo que eu criei. Gostaria de ressaltar que ele provavelmente tem contradições lógicas em si mesmo e peço perdão por qualquer erro gramatical e pouca redação que eu sei que tive. Vos agradeço pela atenção de ler este singelo texto, tentei condensar um pouco das minhas leituras e experiências de vida nisto que eu chamo de um grande suspiro. Fiquem bem!

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