sexta-feira, 28 de outubro de 2022



   Sexta-feira, dia 28 de outubro, dia quente, porém chuvoso e estranho. Sentado ouvindo "Automatic For The People" do R.E.M, enquanto o background é o barulho contínuo da chuva caindo, o que antes era um incomodo, hoje é uma parede no deserto no qual simplesmente se contorna rumo ao nada, insignificante. Olhando asim, parece o começo de um testemunho de quem passou pela paz interior e agora quer cagar suas regras "peace and love" para o mundo (vocês se atentarem ao significado do disco que eu disse acima vão saber o porque de ser o contrário disso).

    O Fato de algumas coisas que antes eram profundos incomodos, por mais que bobos ou não, terem de certa forma se esvaido não é pelo fato desse que vos escreve ter elevado seu espírito para um grau mais proveitoso que o anterior, talvez até seja, mas acredito que isso se deva mais ao fato de nos últimos meses terem acontecido tantos conflitos e confusões que tudo isso trouxe um aspecto neutro à muitas situações que antes seriam certamente batidas de fretnte, o aspecto neutro de alguém que foi em média escala submetido para uma "pausterização" ou choque térmico de neurônios, onde constantemente estamos no topo da montanha e logo após na beira do abismo, falando em condições mentais, claro.

    As coisas apenas deixam de ter um grande destaque em nossos olhos, boas ou ruins, as ruins tem seu valor reduzido ao nada após tantas merdas parecem não serem mais nada, as boas tem continuam tendo um alto valor mas de uma forma equilibrada, ou até exteriormente inexpressadas. Acredito que eu e alguns outros sujeitos são fadados a carregar nos fundamentos de sua personalidade caracteristicas melancolicas, de certo modo uma "energia baixa", nós gostamos de ser introspectivos, seletivos, silenciosos e usar nosso tempo de forma mais "erudita" eu diria, até o momento que passamos a enxergar tudo e todos a nossa volta com muita medíocridade imbutida de fábrica, e quando sabemos disso simplesmente ignoramos por que não é socialmente aceito buscar não ser alguém tão patético e blasé como toda a coletividade urbana e digital se comporta, então nos giramos conforme o carrossel dos horrorres se movimenta, procuramos ser mais acessíveis para novos relacionamentos, o nosso circulo social não nos permite nada além disso, ou você o perde, e quando sua convivência nesse circulo base se torna nula, é o start para o adoecimento. Então nos vejo como dependetes da mediocridade, do ridículo, por que mesmo vendo como fatores patéticos, é isso que nos dá dinheiro, emprego, faculdade, casa, esposa, filhos, e todos os bens materias que você vive esperando ter pra então dizer ser alguém feliz, realizado, responsável e adulto o suficiente.

   Eu provei bastante dessa tentaiva de ser radical quanto ao que penso mesmo, mas paguei caro, perdi pessoas (ou elas me perderam), entre alguns outros fatores, e isso fez o ponto da "pausterização" ter se iniciado. Fui tratado como um zero á esquerda dezenas de vezes apenas por fazer o que todos esses coachs e influencers cretinos e bundões falam por ai: "siga seu coração". O que eu posso dizer até então para os que desejam esse caminho é que você pode até seguir isso piamente, mas só se tiver um baita culhão e de preferencia num país mais estruturado e onde as pessoas tem mais cultura, fora isso, siga o que você achar certo, mas em silêncio, nos detalhes. As vezes até penso que a resposta do mundo nunca muda, você sendo um escroto (não criminoso) ou não, porém todas as vezes que você é tratado como um lixo é um convite pra ser um também, vai de você ou não querer se igualar. 

Enfim, esse foi apenas um dos vários exercícios de expressão.

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