terça-feira, 21 de novembro de 2023

Quatro Teses

 


 

    I. O humano mede o mundo e age sobre ele a partir do conjunto de seus valores internos. O amor é uma forma de agir sobre o outro, e essa forma é proporcional ao quanto um homem tem de amor interno, isto é, amor de si. Portanto, espera-se uma correspondência entre amor próprio e amor aos outros. 

    Crio, consequentemente, um mecanismo de saber o quanto de amor se pode esperar de alguém. O instrumental é simples: não se pode esperar ser bem amado por alguém que pouco se esforça, está na miséria por culpa própria, não se embeleza nem faz questão de se cuidar, pois se verifica que ele não se ama o suficiente para fazer o mínimo de bem a si mesmo. Ou seja, gente feia, burra e pobre não ama os outros. Quem pouco ama é essencialmente mau, logo os feios, burros e pobres são maus. 

    II. Foram a piedade e a misericórdia que levaram a humanidade ao ponto de tolerar pessoas de pouco autovalor. Elas, integrantes das castas baixas, que sobreviveram por causa da piedade dos mais fortes, reproduziram-se em proporções altas e distribuíram sua falta de amor a todas as gerações posteriores. Arruinaram, tanto a piedade quanto as castas baixas, portanto, a humanidade.

    III. Aqueles que desenvolveram sua alma chafurdando na lama ramítica não podem ser consertados. Seus valores internos são calcados na baixeza, sensualismo excessivo, histeria e culto a formas inferiores. 

    IV. O amor não pode ser algo bom na perspectiva do rebanho, porque o amor é seletivo e egoísta. Amam-se poucos em detrimento de todo o grande resto. 

    Eles, por conseguinte, são inimigos do amor. O sentimento que os une é tão-somente o temor a formas superiores.

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