I. O rebanho tem uma incrível e apurada sensibilidade para o perigo. Nenhuma sombra de ameaça e superioridade foge de seu aguçado faro. Entretanto, eu proponho que se olhe mais a fundo: o rebanho não é tão ameaçado quanto ele mesmo representa um perigo — a quem? À espécie humana.
II. Os medíocres, com suas fórmulas morais de culpa, igualdade e compaixão, subordinaram as formas mais nobres à tirania da razão. Portanto, é necessário retomarmos um entendimento de 135 anos: a razão é filha da vontade, não o inverso. O instinto do homem superior conflita com os entendimentos do rebanho, que são veneno e morte para a vontade de poder.
III. A simplicidade da natureza, a complexidade das construções humanas e o exuberante poder dos nobres: são essas coisas que me provocam a legítima apreciação estética.
IV. Um grande problema de nossa geração é o mal de não querer ter limitações. As limitações sugerem caminhos bem definidos, uma trilha única a se seguir, responsabilidades e uma personalidade sólida. Elas são evitadas pois temos medo de fracassar, de nossa vida não ser aquele sonho no fim do arco-íris. — eu sugiro uma solução: para o bem ou para o mal, defina aquilo que você é e aquilo que não é; selecione sua meta independentemente de não ser a melhor de todas as opções; corte fora as fantasias, as possibilidades que fogem de seu plano central; escolha algumas poucas pessoas para serem suas únicas fontes de amor e não espere nada do resto.
V. Não dance a valsa da indústria nem da cultura de massas — não o digo por elitismo, mas por constatar que a cultura de nosso povo é volúvel, niilista, sem fundamento, subordinada às operações do grande capital.
VI. Certo ou errado, com razão ou sem razão, bem ou mal, tenha sempre confiança nas suas ações para dobrar as pessoas a sua vontade.
VII. Nas profundezas do mundo, está o campo livre de disputas pelo poder — energia tentando engolir energia.
VIII. Respeito os cristãos de nossa atualidade tidos como reacionários, fundamentalistas ou anacrônicos. Eles estão resgatando um passado superior, considerando-se a decadência que atravessou o curso da história.
IX. Brasileiros e estadunidenses, estes mais que aqueles, têm um vício intelectual imenso de adjetivar e rejeitar as coisas antes mesmo de conhecê-las. Não buscam descer dois, três níveis a mais no conhecimento de algum autor ou teoria.
X. Depois que o vinho escorreu pela minha boca, não pude não ser Saint Nero. Embriaguei-me, num primeiro momento, de ressentimento e amargura; depois, de ódio e vingança. Agora, embebedo-me de potência e vontade. Meus escritos, que são minha arte, são a espada de um bêbado numa trágica dança dionísia.
XI. Baco empunha sua espada durante suas bebedeiras.
Uma Sofisticada Espadada
Apogeu
Esta noite tive um sonho. Estava numa rua de frente a 9mil pessoas, e, embora estivéssemos todos no mesmo plano, todos pareciam menores que eu. Dentre a multidão, surgia um homem que dizia: "saudemo-lo, o gênio deste lugar". De repente, o coletivo que me pareceu esparso e bagunçado à primeira vista tomou uma forma definitivamente militar, não como se fosse para uma campanha de guerra, mas como um exército que comemorava uma vitória. Todas as 9mil ficaram eufóricas e me saudaram, então sorri e devolvi os gestos de modo expansivo, como se estivesse abrindo meu peito e estendendo meus braços para tomar o mundo todo.

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